Entraves ao comércio varejista no fim do ano

Empresas varejistas e consumidores estão enfrentando um fim de ano mais difícil. É o que mostram dois indicadores da Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) - um relativo ao custo da alimentação e outro sobre o nível de estoques.

O Estado de S.Paulo

24 Dezembro 2014 | 02h02

Em novembro, os gastos com alimentação em casa tiveram alta de 1,34%, superior ao aumento de 0,57% dos gastos com alimentação fora da residência. São itens que se destacaram no Índice de Custo de Vida por Classe Social (CVCS), que acusou aumento de 0,36% no mês passado. Nos últimos 12 meses, o CVCS aumentou 6,18%, influenciado pela alta das despesas com alimentação e bebidas. Mas a crise hídrica foi o que mais influiu na alta, segundo economistas da entidade.

Ao destinar mais recursos para a alimentação (mas também para a habitação e a saúde), os consumidores têm de gastar menos com outros itens. As variações na demanda ajudam a explicar as oscilações de preços do item artigos do lar, com queda de 0,68%, em novembro.

Entre as faixas de renda mais atingidas pelo aumento do custo de vida está a classe D. Esse fato se explica pelo maior peso do grupo alimentos e bebidas (30%) no orçamento das famílias dessa faixa. Esse grupo registrou alta média de preços de 1,05%. Já a classe B foi a que menos sentiu a alta dos preços.

Ao obrigar os consumidores a rever seu orçamento, o aumento das despesas com alimentos afeta as vendas dos demais itens do varejo, o que dificulta a administração dos estoques desses bens. Em geral, essa administração foi mais fácil entre setembro e novembro, mas piorou em dezembro.

Na comparação entre dezembro de 2013 e dezembro de 2014, quase 50% dos empresários observaram que os estoques superaram o nível desejado. Esse é o resultado de um Natal "magro", cuja confirmação poderá deixar um rastro de novos problemas, como a piora do fluxo de caixa das empresas de varejo. Nem todos os varejistas estarão preparados para as despesas de janeiro, especialmente com o vencimento de tributos e a alta da folha de pessoal em razão do aumento do salário mínimo.

É possível, afinal, que poucos comerciantes tenham, de fato, se ajustado para a frustração de vendas no melhor período do ano. Pesquisa do Ministério do Trabalho mostrou que o comércio abriu 105 mil vagas formais em novembro - ou seja, sem o comércio, o desemprego teria crescido. É possível que essa situação se reverta em janeiro.

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