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Entre a praia e o câmpus

Programas de MBA de dedicação integral perdem espaço para cursos específicos e para a educação a distância

The Economist

18 de outubro de 2016 | 06h00

Os programas de MBA que exigem dedicação integral estão perdendo terreno para cursos voltados para áreas específicas e para a educação online

A convicção de que é possível aprender sobre os segredos do mundo dos negócios numa sala de aula, real ou virtual, continua inabalável. Nos Estados Unidos, são concedidos mais diplomas de pós-graduação em administração de empresas do que em qualquer outra área – mais de 189 mil no ano acadêmico de 2013-2014, último período sobre o qual há dados disponíveis.

Os cursos de pós-graduação em administração são os mais procurados no mundo inteiro. Trata-se, na maioria dos casos, de programas de MBA, quase um pré-requisito para quem pretende chegar longe no mundo corporativo: cerca de 40% dos executivos das empresas que integram o ranking das 500 maiores companhias americanas, compilada anualmente pela revista Fortune, têm um MBA no currículo.

Apesar disso, o interesse despertado pelos programas que exigem dedicação de tempo integral diminuiu consideravelmente nos últimos anos. Segundo o Graduate Management Admission Council (GMAC), uma associação de escolas de administração, o número de candidatos por vaga tem permanecido estável ou está em queda na maioria do programas de MBA. É o que também indicam dados do ranking de melhores MBAs do mundo elaborado pela The Economist. Há cinco anos, os programas incluídos no ranking tinham, em média, 17 candidatos por vaga. Este ano, o número caiu para 10.

A pressão sobre os programas de MBA vem de duas fontes: dos mestrados em áreas específicas, como, finanças ou análise de dados, que vêm se tornando mais populares; e dos programas online, que estão se livrando da má fama que tinham até pouco tempo atrás. Os mestrados em áreas específicas são realizados assim que o aluno conclui seu curso de graduação. Isso atrai os recém-formados, muitos dos quais ainda sentem os efeitos da crise financeira de 2007-2008. Nos EUA, o desemprego entre recém-formados voltou aos níveis pré-recessão, mas o subemprego, que em 2007 estava em 9,6%, hoje chega a 12,6%, segundo o Economic Policy Institute.

Isso faz com que muitos jovens prefiram continuar na universidade por mais alguns anos, aprofundando sua formação numa área específica. Yulia Kot, de 21 anos, aluna do mestrado em finanças internacionais da École de Hautes Études Commerciales de Paris (HEC Paris), diz que precisava de formação mais qualificada para dar início a uma carreira no setor de bancos de investimento, onde os empregos andam escassos. A análise de “big data” é outra área que vem crescendo bastante. No ano passado, 94% das escolas de administração que oferecem mestrado em análise de dados registraram significativo aumento na procura por seus cursos. De acordo com Daniel Wright, vice-diretor da escola de administração da Universidade Villanova, na Pensilvânia, foram as grandes corporações que incentivaram a abertura de cursos em áreas como estatística, a que os MBAs tradicionais não vinham dando a devida importância.

Quem conclui um mestrado e começa a trabalhar raramente se dispõe a interromper a carreira cinco anos depois para fazer um MBA. E as próprias empresas já não dão tanto valor a um MBA no currículo. Especialistas em contratação dizem que hoje as companhias estão em busca de dois tipos de profissional: os que têm capacidade de liderança e competência para formular estratégias, e os que são capazes de executar tarefas específicas e complexas. No primeiro caso, os recrutadores vão atrás de indivíduos que tenham cursado um MBA tradicional; no segundo, buscam pessoas com mestrado em áreas específicas.

Por sua vez, entre os que procuram uma formação mais generalista, é crescente o interesse por cursos de MBA oferecidos pela internet. Até recentemente, a credibilidade dos programas online era baixa: poucos dos milhares de alunos que se matriculavam nessas “fábricas de diplomas” chegavam a concluir seus cursos. Mas as coisas estão mudando. As melhores escolas de administração já oferecem programas de MBA online, e, segundo o GMAC, seu número deve aumentar em 9% no ano que vem. “É comum imaginar que os jovens de hoje, que nasceram num mundo digital, tendam a estar mais abertos aos formatos online”, diz o presidente da entidade Sangeet Chowfla. Acontece que para eles o dia a dia da convivência acadêmica ainda é muito importante. São principalmente as pessoas de mais idade que se interessam pelas opções online, já que elas permitem conciliar uma pós-graduação com um emprego em período integral.

Os custos elevados dos MBAs tradicionais os deixam particularmente vulneráveis, quando comparados com mestrados em áreas específicas ou programas online. Na HEC Paris, por exemplo, enquanto um MBA de 16 meses custa € 58 mil (US$ 64 mil), o mestrado de um ano em finanças internacionais sai por € 31 mil.

Há cursos online que chegam a custar quase o mesmo que seus assemelhados presenciais. Na Universidade da Carolina do Norte, cujo MBA ocupa a 22.ª posição no ranking de The Economist, o programa online sai por US$ 105 mil, valor não muito inferior ao pago pelos alunos que frequentam o câmpus da instituição. Mas a maioria dos cursos realizados pela internet é bem mais barata.

Muitos dos alunos matriculados no curso online da Universidade da Carolina do Norte jamais cogitariam abrir mão de seus empregos para se matricular num MBA de dedicação integral. Michelle Middleton, diretora de operações de uma seguradora de Nova York, diz que, 28 anos após de ter concluído sua graduação, seria inviável voltar para a universidade para fazer uma MBA. Com a versão online, pode estudar quando está no avião, no trem e na praia. Desde que iniciou o curso, a empresa já a promoveu duas vezes.

Os críticos da educação online dizem que nada se compara às experiências e oportunidades de contato que a pessoa tem ao frequentar o câmpus de uma universidade, onde os alunos convivem diariamente com professores e colegas bem relacionados. Essa é, de fato, a grande vantagem dos melhores programas de MBA. As instituições menos prestigiosas talvez estejam tendo dificuldades para ocupar suas salas de aula, não as “top de linha”.

© 2016 THE ECONOMIST NEWSPAPER LIMITED. DIREITOS RESERVADOS. TRADUZIDO POR ALEXANDRE HUBNER, PUBLICADO SOB LICENÇA. O TEXTO ORIGINAL EM INGLÊS ESTÁ EM WWW.ECONOMIST.COM.

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