Entre as múltis, receio em investir ainda é grande

Levantamento da ONU mostra que Brasil fica em sétimo lugar entre economias mais promissoras para investimentos nos próximos anos

Jamil Chade CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

16 Julho 2016 | 20h00

O Brasil será o destino de investimento preferido de praticamente uma a cada dez multinacionais até 2018. Em um levantamento feito pela Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a percepção do setor privado em relação às economias mais promissoras para se investir entre 2016 e 2018, o País aparece na sétima colocação. No total, 11% das empresas questionadas responderam que apostariam no mercado brasileiro.

Em 2014, a economia brasileira aparecia na quarta posição, superada apenas por China, Estados Unidos e Índia.

Hoje, Reino Unido, Alemanha e Japão voltaram a superar o Brasil. Nos últimos quatro anos, os novos investimentos em fábricas e novos serviços, sem contar as aquisições e fusões, foram reduzidos de US$ 48 bilhões para apenas US$ 17,9 bilhões no Brasil.

Somando todo o fluxo de investimentos ao País, a constatação também aponta para uma queda. Em 2011, o Brasil havia recebido US$ 96 bilhões. Em 2014, o volume caiu para US$ 73 bilhões e, em 2015, para US$ 65 bilhões.

Com um impacto da desvalorização do real e a hesitação em investir, os estoques de investimentos passaram de US$ 640 bilhões no Brasil em 2010 para US$ 485 bilhões em 2015.

Oportunidade. Mas a desvalorização do real acabou também tornando algumas empresas do País atrativas para os estrangeiros que quiseram aproveitar a ocasião para comprar “ativos brasileiros com desconto”. A British American Tobacco, é um exemplo. A empresa adquiriu ações avaliadas em US$ 2,4 bilhões de sua afiliada Souza Cruz no Brasil.

Os investimentos em ações em 2015 ainda aumentaram 4%. No setor da saúde, com as novas leis permitindo a entrada de capital estrangeiro, os investimentos em ações passaram de US$ 16 milhões para US$ 1,3 bilhão.

O diretor do Departamento de Investimentos da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), James Zhan, destacou o movimento de estrangeiros aproveitando a desvalorização da moeda brasileira para comprar empresas no País. “Foi isso que, em parte, segurou o fluxo de investimentos”, disse.

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