Entre consumidores, principal motivação ainda é ambiental

Os sistemas de geração solar no Brasil estão restritos, em grande parte, aos telhados de gente entusiasmada com fontes renováveis de energia, como o contador Marcelo Colle, de Videira (SC). "O assunto sempre foi um hobby para mim", conta. "Quando saiu a resolução da Aneel, em 2012, eu já tinha pesquisado muito e fui um dos primeiros a instalar painéis fotovoltaicos em casa."

Naiana Oscar, O Estado de S.Paulo

16 de fevereiro de 2015 | 02h03

Na época, ele pagou cerca de R$ 18 mil para colocar os painéis no telhado da residência, onde vive com a mulher. Não precisou de financiamento porque já tinha reservado um dinheiro para este fim. "Minha decisão foi mais motivada pela questão ambiental do que pela econômica." Ele e a mulher consomem em média 140 quilowatts de energia, o que resultaria numa conta de R$ 80. Hoje, Colle paga uma tarifa de R$ 10, por causa dos impostos.

Quem instalou o sistema na casa do contador foi a Solar Energy, empresa com sede em Curitiba (PR) que está entre as mais antigas do País na geração distribuída de energia solar. A companhia foi fundada em 2011 por Hewerton Martins, formado em automação industrial, e por seu irmão, que é engenheiro eletricista. Os dois enxergaram na geração fotovoltaica uma possibilidade de empreender, largaram seus empregos (numa usina de cana-de-açúcar e numa empresa de cosméticos) e foram viajar o mundo, por um ano, para pesquisar tecnologia e se familiarizar com esse mercado.

Hoje, a Solar Energy tem 150 sistemas instalados no País. Montar toda a estrutura, segundo Martins, leva em média três dias. O demorado é conectá-la à rede elétrica. Dependendo da distribuidora, pode levar de três a quatro meses.

O preço, segundo ele, já foi um obstáculo maior. Os primeiros sistemas vendidos pela empresa para residências custavam R$ 35 mil. Hoje, a mesma estrutura sai por R$ 22 mil. "Mas não acredito que caia muito mais que isso por dois motivos: dólar e China", diz.

Como boa parte das peças usadas na montagem dos módulos é importada, a alta do câmbio prejudica o setor. Soma-se a isso o fato de o governo chinês ter adotado nos últimos dois anos uma política de incentivo à instalação de painéis solares nos telhados de casas e empresas do país, que é o maior produtor das peças para a montagem dos módulos. A expectativa do setor é que, com os projetos vencedores do leilão de energia solar, realizado em setembro do ano passado, os fornecedores, aos poucos, se instalem no Brasil.

O empresário Eduardo Taniguchi não quis esperar o cenário mais favorável para gerar eletricidade. Dono de uma empresa de instalação e manutenção de ar-condicionado, em Palmas (TO), ele decidiu aproveitar o telhado de 1,3 mil m² para produzir energia. "Queria aproveitar o nível de insolação da região, que me impressionou desde que transferi a empresa de São Paulo para Palmas em 2000."

A conta de luz da Industec girava em torno de R$ 2 mil. Taniguchi investiu R$ 250 mil no sistema, financiado em dez anos, com dois de carência. Ele vai começar a pagar as parcelas, de R$ 3,4 mil, nos próximos meses. "Não é barato, mas sei exatamente quanto vou gastar com energia daqui para frente. Não estou preocupado com aumento na conta de luz."

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