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Entre críticas e pressões, BC aposta em moderação

Alexandre Tombini equilibra-se entre o mercado financeiro e o Executivo na questão dos juros

LEANDRO MODÉ, O Estado de S.Paulo

20 de outubro de 2011 | 03h06

Espremido entre as críticas do mercado financeiro e as pressões do Executivo, o Banco Central (BC) de Alexandre Tombini ensaia uma reação mais assertiva aos dois lados. Sinais de uma postura menos tolerante da autoridade monetária - em relação às críticas e às pressões - foram emitidos nas últimas semanas.

Em discursos públicos, por exemplo, Tombini tem recorrido com frequência a palavras como "moderação" e "moderado" para se referir às perspectivas para a taxa básica de juros (Selic). É uma maneira velada de dizer que o juro deve, sim, continuar caindo, mas não em alta velocidade - como gostaria o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Em 6 de outubro, em um evento em Brasília, Tombini falou duas vezes em ajustes "moderados". "Olhando para a frente, nas atuais conjunções, ajustes moderados na taxa de juros são consistentes com a convergência da inflação para o centro da meta em dezembro de 2012", disse o presidente do BC.

Poucos dias antes, em 30 de setembro, Mantega havia dito, em seminário em São Paulo, que o Brasil tem munição para reagir à piora da conjuntura econômica global. "Nós temos, por exemplo, a taxa de juros mais alta do mundo, e podemos reduzi-la."

Ao falar em moderação, Tombini orientou melhor as expectativas do mercado financeiro para a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta semana. Tanto que a decisão de reduzir a Selic em 0,5 ponto porcentual ontem foi amplamente antecipada pelos investidores, diferentemente do que ocorreu no encontro do fim de agosto.

A propósito de mercado financeiro, o BC de Tombini também se encarregou, nas últimas semanas, de defender de forma mais veemente suas decisões - especialmente a de agosto, quando baixou a Selic inesperadamente, de 12,5% para 12%.

Em 15 de setembro, o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Araújo, participou de um encontro com analistas de mercado em São Paulo. A reunião ocorreu na sede da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Na ocasião, Araújo exaltou o trabalho do corpo técnico do BC. Destacou os profissionais que fazem os modelos matemáticos que embasam a autoridade monetária em duas decisões sobre o juro. É uma área liderada por André Minella, mestre e PhD em Economia pela Unicamp e pela New York University.

Com seu jeito tranquilo, o cearense Araújo deu, nas entrelinhas, o recado: o pessoal técnico do BC é de ponta e suas projeções de desaceleração da inflação nos próximos meses não devem ser desqualificadas pelas instituições financeiras e consultorias, como vem ocorrendo.

Além de imprimir seu estilo na condução da política monetária, ou seja, no conteúdo, o gaúcho Tombini, aos poucos, deixa sua marca também na forma. Aliás, como já antecipara seu sucessor, Henrique Meirelles, em um de seus últimos discursos. "Eles (mercado) não conhecem o gaúcho. O gaúcho é dureza."

O BC foi procurado, mas não quis se pronunciar.

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