Alex Proimos/Wikimedia Commons
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Entre gestore de recursos, aumenta a aposta de aprovação de reforma no segundo semestre

Entre gestores de recursos e investidores, estimativa de que a reforma da Previdência será aprovada no segundo semestre cresce para 80%, aponta pesquisa do Bank of America Merrill Lynch

Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2019 | 12h02

Pesquisa do Bank of America Merrill Lynch com gestores de recursos e investidores mostra que aumentou a aposta, de 61% em fevereiro para 80% este mês, de que a reforma da Previdência será aprovada no segundo semestre. Já a expectativa de aprovação neste primeiro semestre caiu de 32% para 6%.

A maioria dos ouvidos pelo banco americano (60%) acredita que o texto trará economia fiscal de R$ 700 bilhões em dez anos, ou seja, menor que o R$ 1,1 trilhão previsto pelo governo. Com a perspectiva de aprovação, os gestores veem o Ibovespa fechando o ano entre 110 mil e 120 mil pontos e o dólar abaixo do nível atual, de R$ 3,80.

Para o Ibovespa, que hoje voltou a operar na abertura acima dos 100 mil pontos, apenas 10% dos participantes da pesquisa do BofA acreditam que o índice vai terminar o ano acima de 120 mil pontos, ante 30% do levantamento feito em fevereiro. Perto de 40% veem o índice entre 95 mil e 110 mil e 45% entre 110 mil e 120 mil. "Os investidores seguem otimistas com o Brasil", afirma relatório do banco americana apresentando a pesquisa.

No dólar, 75% dos gestores veem a moeda fechando o ano abaixo de R$ 3,80, mas acima de R$ 3,60. Perto de 35% acreditam que a moeda americana pode encerrar 2019 abaixo de R$ 3,60. Só 5% veem o dólar acima de R$ 4,00. Para os juros, o consenso é de manutenção da taxa este ano e cerca de 15% acreditam em corte da Selic em 2019.

Passando a reforma da Previdência, o BofA perguntou aos gestores quais seriam as novas reformas que os agentes querem ver em prática para aumentar a alocação em Brasil: 31% deles afirmaram querer ver medidas como a reforma tributária e a independência do Banco Central. Outros 22% disseram que só a Previdência já é suficiente para aumentar a aposta em Brasil. Ainda sobre as medidas previdenciárias, 90% dos gestores afirmaram que, se o governo conseguir aprovar um texto com economia fiscal ao redor de R$ 700 bilhões em 10 anos, seria "positivo".

A maioria dos riscos para o Brasil e a América Latina vem do mercado doméstico, segundo a pesquisa. A falta de reformas é considerada como o principal deles para 60% dos entrevistados. Já o risco de piora da China teve queda e apenas 15% dos gestores veem como o principal, ante 30% em fevereiro.

Para 78% dos entrevistados, o Brasil vai recuperar a classificação de grau de investimento no governo de Jair Bolsonaro, porcentual um pouco menor (82%) do que na pesquisa feita em fevereiro. A pesquisa foi feita entre os dias 8 e 13 de março, com gestores que administram cerca de US$ 71 bilhões.

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