André Dusek/Estadão
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Entre grandes emergentes, só Brasil e Índia não queimaram reservas em 2015

Todos os demais países do grupo - África do Sul, Arábia Saudita, China, Indonésia, México, Rússia e Turquia - usaram parte do colchão de dólares neste ano; ao todo, foram torrados US$ 290,5 bi em sete meses

Fernando Nakagawa, O Estado de S. Paulo

22 Setembro 2015 | 16h04

LONDRES - O Brasil está ficando sozinho no grupo dos países emergentes que não tocaram nas reservas internacionais para reagir à piora das condições econômicas. Entre as grandes nações em desenvolvimento, só Brasil e Índia não queimaram reservas em 2015. Todos os demais grandes - África do Sul, Arábia Saudita, China, Indonésia, México, Rússia e Turquia - usaram parte do colchão de dólares durante os sete primeiros meses do ano. Ao todo, o grupo torrou US$ 290,5 bilhões em sete meses para proteger moedas e as condições domésticas.

Levantamento feito pela Agência Estado com dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da Administração Estatal das Reservas Internacionais da China revela que, ao contrário do Brasil, a maioria dos demais países emergentes tem usado parte das reservas internacionais diante da deterioração do quadro econômico.

Já o Brasil tem usado outros instrumentos para tentar - sem sucesso - conter a desvalorização do real. Em fóruns como o Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês) e o grupo das 20 maiores economias do mundo, o G-20, brasileiros explicam o uso de alternativas como o swap cambial porque o Brasil tem um mercado de derivativos mais desenvolvido que outros emergentes. Por isso, pode oferecer proteção cambial sem tocar nas reservas. Recentemente, o Banco Central passou a oferecer empréstimo de dólares. A iniciativa, porém, também foi insuficiente para conter o derretimento do real.

Entre os grandes emergentes, a Arábia Saudita lidera o movimento de queima de reservas em 2015. Em sete meses, o volume total do exportador de petróleo caiu 8,7%. Árabes têm usado as reservas diante da queda do preço do barril do petróleo, o que reduz as receitas do país. Assim, o governo do rei Salman bin Abdulaziz al-Saud, que tomou posse no início do ano, tem direcionado parte das reservas para continuar com o mesmo ritmo de gastos a despeito do petróleo barato.

Em seguida, aparecem os sul-africanos, que já queimaram 6,7% das reservas em 2015, os turcos, com 5,2%, e os chineses, que usaram 5%. Os três casos são semelhantes e mostram a reação das autoridades à piora das condições e maior desconfiança dos estrangeiros. Entre os demais, as reservas caíram 4,6% no ano na Rússia, 3,9% na Indonésia e 1,2% no México. Entre as consequências do uso desses dólares, a mais visível é a desvalorização menos intensa das moedas nacionais.

Juntos, os sete emergentes despejaram US$ 290,548 bilhões no mercado para conter o apetite dos investidores em sete meses, revelam os dados do FMI e governo chinês. O valor equivale a quase 80% do total das reservas brasileiras. Apenas no caso da China foram torrados US$ 191,7 bilhões, de acordo com a Administração Estatal das Reservas Internacionais. Analistas têm trabalhado com a perspectiva de que Pequim deve continuar usando cerca de US$ 40 bilhões mensais nos próximos meses para conter a oscilação do yuan.

Enquanto isso, o Banco Central em Brasília e o Banco de Reserva em Mumbai não tocaram nas reservas. Bem diferente do Brasil, a Índia tem experimentado um período de lua de mel com os investidores diante das reformas adotadas pelo primeiro-ministro Narendra Modi. Isso pode explicar o ingresso de mais capital estrangeiro no país diante da expectativa de crescimento econômico de 7,5% em 2015, o maior ritmo do G-20. 

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