Entre máquinas

A internet das coisas – em que todos os objetos passam a ter capacidade de comunicação e processamento de dados – demora a acontecer no Brasil. Existem somente 10 milhões de acessos móveis usados para comunicação máquina a máquina no País, num total de 281 milhões de celulares.

Renato Cruz, O Estado de S. Paulo

13 Setembro 2015 | 02h30

Como diz Demi Getschko, conselheiro do Comitê Gestor da Internet no Brasil e colunista do Estado, a expressão “comunicação máquina a máquina” é estranha. Quando alguém manda uma mensagem no WhatsApp para outra pessoa, a comunicação é máquina a máquina. Afinal, a mensagem vai de um celular para outro. Se não fosse intermediada por máquinas, a comunicação a distância seria como? Por telepatia?

Mas o que os especialistas querem dizer, nesse contexto de internet das coisas, é que os dispositivos trocam informações entre si para funcionar em rede, sem intervenção humana. Em pouco tempo, eletrodomésticos, sensores, carros, grandes máquinas e acessórios pessoais estarão conectados.

A fabricante de equipamentos de rede Cisco prevê que, em 2020, haverá 50 bilhões de dispositivos ligados à internet. Para se ter uma ideia do que isso significa, existem cerca de 7 bilhões de acessos celulares em uso atualmente no mundo. “No Brasil, o potencial para a internet das coisas é proporcional”, afirma Giuseppe Marrara, diretor de Relações Governamentais da Cisco, que participou na semana passada de evento organizado pela Momento Editorial, em Brasília.

Dessa forma, poderíamos chegar a 2 bilhões de objetos conectados no Brasil até o fim da década. Mas, com 10 milhões de dispositivos, ainda estamos muito longe. A maioria desses chips de comunicação entre máquinas está instalada em leitores de cartões de crédito e débito e em rastreadores de veículos.

Uma das aplicações mais promissoras da internet das coisas é a chamada “smart grid”, a rede elétrica inteligente. Existem 68 milhões de residências no Brasil, e cada uma delas poderia ter um medidor eletrônico, conectado via internet à distribuidora. Essa solução, no entanto, é pouco utilizada por aqui.

Outra aplicação promissora da internet das coisas está no setor de saúde. Equipamentos conectados podem monitorar pacientes crônicos, para avisar, em tempo real, ao médico se esses pacientes enfrentam algum problema.

Para Maximiliano Martinhão, secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, existe um desconhecimento das empresas brasileiras sobre o potencial da comunicação entre máquinas. “Planejamos fazer, em Brasília, um evento para demonstrar as várias aplicações de internet das coisas.” Ele está à frente da Câmara de Gestão criada para discutir o tema. A câmara reúne representantes do governo, da indústria e da academia.

Mudança. A Apple já se tornou uma empresa totalmente diferente daquela comandada por Steve Jobs. Prova disso foi o iPad Pro, que trouxe novidades como uma capa com teclado embutido (parecido com o do Surface, tablet da Microsoft) e uma caneta (como a utilizada pelo Galaxy Note, da Samsung). Jobs abominava canetas para telas sensíveis ao toque.

Regulamentação. Num momento em que o governo precisa aumentar a arrecadação e criar empregos, os vereadores de São Paulo aprovaram uma lei para proibir o Uber, aplicativo que permite contratar motoristas particulares. Cerca de 5 mil motoristas trabalham com o Uber no País. Melhor fez a Câmara dos Deputados, que criou um piso de 2% de ISS para serviços como Netflix, reduzindo assimetrias regulatórias. O projeto vai para o Senado.

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