Entre micro e pequenas empresas, só a indústria cresceu

Depois de dois anos consecutivos, o faturamento das micro e pequenas empresas caiu em 2006. A queda foi de 3,5% - de R$ 247,9 bilhões em 2005 para R$ 239,3 bilhões em 2006, segundo a pesquisa Indicadores Sebrae-SP. Nos anos anteriores, em 2004 e 2005, o crescimento foi de 4,3% e 1,9%, respectivamente.Segundo a pesquisa, somente o faturamento das indústrias teve alta em 2006, de 1,9%. Já os setores de comércio e serviços apresentaram quedas de 5,3% e 3,6%, respectivamente. Com exceção do Grande ABC, cujas micro e pequenas empresas tiveram alta de 1,3% em 2006 ante 2005, todas as regiões do Estado - Capital, Região Metropolitana de São Paulo e Interior - tiveram redução no faturamento em 2006 ante 2005, respectivamente -3,8%, -3,4% e -3,6%.O resultado positivo no Grande ABC foi puxado pelos setores de indústria - mais especificamente a indústria de bens intermediários, fabricante de peças e componentes automotivos - e comércio. Bedê explicou que os recordes de produção das montadoras beneficiaram os fornecedores de autopeças com o aumento de encomendas. Já o comércio foi favorecido pelo crescimento de renda dos metalúrgicos da região, que em 2006 tiveram aumentos salariais acima da inflação e aumentaram o consumo nos pequenos negócios das cidades do Grande ABC.De acordo com o coordenador do Observatório das Micro e Pequenas Empresas do Sebrae-SP, Marco Aurélio Bedê, no primeiro semestre, a queda no faturamento foi motivada pelo ritmo de redução da taxa de juros e a crise do agronegócio. "Nas cidades do interior do Estado, o agronegócio é muito importante, pois mobiliza o consumo nos pequenos comércios", explicou.Já no segundo semestre, a valorização do real frente ao dólar foi apontada como a causa da redução do faturamento dos pequenos empreendimentos. Segundo Bedê, o câmbio teve queda de 10,6% em 2006 ante 2005 e as importações aumentaram 24% no período.Na área específica de bens de consumo não duráveis, um dos principais nichos das micro e pequenas empresas, as importações tiveram alta ainda maior: 31%. "A presença cada vez maior das importações causou uma queda real dos preços relativos na economia. Alimentos, vestuário e habitação apresentaram variação de preços inferior à inflação", exemplificou.Mercado de trabalhoTambém apresentou resultado negativo o nível de pessoas ocupadas pelas micro e pequenas empresas, com queda de 5,2% em 2006 ante 2005, ou o fechamento de 310 mil vagas, após quatro anos seguidos de expansão. Por outro lado, o rendimento médio dos empregados das micro e pequenas empresas teve alta de 7,3% em 2006 ante 2005 - o salário médio passou de R$ 700 para R$ 751.Em todo o Estado e considerando todos os setores, o comércio do Grande ABC foi o único que apresentou alta no número de empregados, de 6,1%. Entretanto, a diminuição do número de empregados não é tão preocupante no caso das pequenas e micro empresas, explicou Bedê."Quando há variações muito rápidas nas vendas, para mais ou para menos, as empresas desse porte fazem um ajuste inicial de pessoal nos colaboradores mais próximos, os familiares, que em muitos casos colaboram na administração do negócio sem uma remuneração fixa mensal", afirmou.A queda do nível de pessoal ocupado se deu em todos setores: -7,5% em serviços, -4,6% no comércio e -2,4% na indústria. As demais regiões apresentaram retração no pessoal ocupado: -4,5% no Interior, -5,9% na Região Metropolitana de São Paulo e -11,5% na capital.RendimentoTodas as regiões e setores apresentaram aumento no valor dos rendimentos pagos aos trabalhadores: 2,3% na indústria, 6,9% nos serviços e 9,3% no comércio. Por regiões, as altas foram de 6,6% na Capital, 7,4% na Região Metropolitana de São Paulo, 7,7% no Interior e 8,6% no Grande ABC. "As micro e pequenas empresas estão seguindo a tendência de recuperação dos salários verificada na economia por conta da inflação sob controle, dos dissídios com recuperação dos salários acima da inflação e do aumento real do salário mínimo", explicou Bedê.Crédito e inadimplênciaNem a expansão do crédito ajudou as micro e pequenas empresas. De acordo com Bedê, o crescimento do endividamento das famílias em 2006 foi direcionado para compras de bens de maior valor, como automóveis e eletroeletrônicos, em prejuízo de bens e serviços oferecidos pelas micro e pequenas empresas, geralmente de valor mais baixo. "Com a alta da inadimplência resultante desses empréstimos, as famílias cortaram todos os gastos extras e diminuíram ainda mais o consumo", ressaltou.

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