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Entre os Brics, BB é o que mais concede crédito

A estratégia do governo brasileiro de usar os bancos públicos para estimular o mercado de crédito fez do Banco do Brasil (BB) a instituição financeira com maior crescimento da carteira de empréstimos entre os maiores bancos dos países do Bric (Brasil, Rússia, Índia e China). A conclusão é de um estudo feito pela Moody's Investors Service, que destaca que o BB, por causa dessa estratégia, pode ter aumento da inadimplência e precisar de capital extra.

ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, CORRESPONDENTE/ NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

27 de abril de 2013 | 02h05

O BB vem registrando crescimento real da carteira de crédito, ou seja, descontada a inflação, de 20% ao ano desde 2007, ante 15% do maior banco na Rússia, 12% na China e 10% na Índia. Foi em 2008, como reflexo da crise global e do desaquecimento da economia, que o governo brasileiro começou a usar os bancos públicos para estimular o crédito, pois as instituições privadas haviam colocado o pé no freio.

A Moody's prevê que o nível de capital do BB, e de outros bancos dos países analisados, vai cair em 2013. Com isso, eles podem precisar ser capitalizados, para ajustar novamente seus índices de Basileia, que mede quanto uma instituição financeira pode emprestar sem comprometer seu capital e sua solvência. Mas considerando o tamanho dos bancos, a posição no mercado e o fato de serem controlados pelos governos não deve tornar essa tarefa difícil. "Avaliamos que esses bancos têm uma boa capacidade de atrair novo capital se for preciso", diz o documento.

A Moody's comparou os quatro maiores bancos por ativo de cada país, que coincidentemente são controlados pelos governos, que detêm entre 50% e 70% de cada instituição. Além do BB, foram analisados o russo Sberbank, o State Bank of India (SBI) e o Industrial & Commercial Bank of China (ICBC).

Mesmo com esse ritmo maior de crescimento do crédito, o BB registra menor calote. No final de 2012, a taxa de inadimplência do BB estava em 2%, enquanto o SBI tinha 5,3% e o Sberbank, 4,5%. O banco chinês registrava a menor taxa: 1%.

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