Entre projetos adiados, três novas fábricas de celulose

Além da Eldorado, Stora Enso e Arauco vão iniciar fábrica no Uruguai; Suzano deve inaugurar unidade em 2014

FERNANDO SCHELLER, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2012 | 02h19

Embora empresas como Suzano, Fibria e Cenibra estejam enfrentando dificuldades para colocar em pé projetos de novas fábricas, o movimento da Eldorado de adicionar oferta aos clientes mundiais de celulose está longe de ser isolado. Pelo menos outras duas fábricas devem entrar em operação nos próximos dois anos, disputando exatamente o mesmo mercado cortejado pela fábrica do grupo J&F.

A expectativa é que pelo menos 4 milhões de toneladas de celulose "nova" entrem no mercado entre 2013 e 2014, segundo Otávio Pontes, vice-presidente das da finlandesa Stora Enso para a América Latina. A empresa, em parceria com a chilena Arauco, deverá iniciar até julho do próximo ano a produção em uma fábrica de capacidade equivalente à da Eldorado no Uruguai. "Todos estão atrás do mesmo mercado, de papel higiênico e absorvente, que cresce entre 4% e 4,5% ao ano. É nesse mercado que se concentra a nova oferta", explica Pontes.

Em 2014, a Suzano deve inaugurar, com um ano de atraso em relação às projeções iniciais, uma unidade no Maranhão. Um segundo projeto, inicialmente previsto para o Piauí em 2014, foi adiado e não tem mais data para ser viabilizado.

Nos últimos anos, a Suzano vem se desfazendo de ativos para dar conta dos investimentos, mas tem constantemente revisado para baixo os valores aplicados. Ao anunciar os resultados do terceiro trimestre, a empresa reduziu o total previsto para este ano de R$ 3,5 bilhões para R$ 3 bilhões.

E ainda há os projetos de celulose tocados pelas papeleiras - parte da produção dessas fábricas, porém, poderá ser usada para abastecer unidades locais de papel. A CMPC, dona da Melhoramentos Papéis, tem um projeto previsto para Guaíba (RS). Já a Klabin anunciou investimento de R$ 6,8 bilhões para uma nova fábrica de celulose em Ortigueira (PR). A companhia ainda busca, no entanto, sócios e financiamento para tirar o investimento do papel.

A dificuldade em viabilizar projetos é uma constante porque, embora os preços da celulose de fibra curta tenham subido no último ano, eles ainda se situam entre US$ 650 e US$ 750 atualmente.

A chance de um novo recorde de preço - como o registrado em 2010, quando a cotação passou de US$ 1.000 - é reduzida. Há dois anos, houve interrupção de produção na Europa, o que gerou apreensão sobre o abastecimento do produto. E nada parecido com isso ocorre agora. "Acho que os preços são bons para as fábricas já maduras. Para as novas, a margem não está muito folgada", diz Pontes, da Stora Enso.

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