Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

'Entrei com o pedido de aposentadoria, mas decidi revogá-lo'

Trabalhadores prestes a se aposentar se beneficiam com novas regras 

Luis Guilherme Gerbelli, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2015 | 02h05

A saga envolvendo as mudanças nas regras da Previdência fizeram o contabilista Dirceu Pereira, de 56 anos, mudar de planos em relação à sua aposentadoria. Um dia depois de ter dado entrada no processo para o pedido de aposentadoria, o Congresso aprovou a Medida Provisória que derrubava o fator previdenciário e transformava a regra para a fórmula 85 (mulheres) e 95 (homens).

"Tinha entrado com o pedido, mas decidi revogá-lo depois que vi que a medida havia sido aprovada no Congresso", diz Pereira, que refez os cálculos para ver o que era mais vantajoso.

Embora o governo tenha alterado a proposta do Congresso e apresentado o fator progressivo, que aumenta a pontuação para 90 (mulheres) e 100 (homens) até 2022, a nova fórmula ainda vai beneficiá-lo.

Hoje, se ele decidisse se aposentar, receberia 70,73% do teto. Agora, se esperar mais dois anos, vai conseguir o valor máximo possível. "Entrei no mercado de trabalho com 15 anos, como office-boy. No dia seguinte ao meu aniversário, meu pai me colocou para trabalhar", diz.

Ainda em atividade, o contabilista está fora do mercado de trabalho formal, mas continua recolhendo normalmente pelo teto para a Previdência e, agora, só espera até 2017. Sua esposa, apenas três meses mais nova, também está em condições de se aposentar, mas, da mesma forma, optou por esperar para conseguir um valor um pouco maior.

A nova proposta também vai beneficiar o administrador de empresas Luiz Alberto Evangelista, de 58 anos. Ele, que trabalha na Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), tinha planos de se aposentar este ano e continuar trabalhando para complementar a renda.

"Não tinha como parar de trabalhar. Temos uma previdência suplementar como alternativa, mas, mesmo se eu somá-la com o INSS, ainda assim não chegaria ao salário atual", a firma ele, que fez os cálculos no site do INSS. "Minha esposa se aposentou há quatro anos, mas continuou trabalhando normalmente", diz.

Com a nova fórmula, basta que Evangelista espere mais um ano para atingir a pontuação necessária e se aposentar pelo teto da Previdência. "O INSS nunca vai ser bom, pois é muito pouco perto do que nós contribuímos durante nossa vida toda", diz o administrador. "Porém, ao menos é melhor do que o fator previdenciário, que é um absurdo. A regra que o Congresso apresentou é mais coerente. Não é excelente, mas é melhor do que o cálculo atual", afirma.

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