ENTREVISTA-Amorim mostra preocupações com tempo curto para Doha

O ministro das Relações Exteriores doBrasil, Celso Amorim, demonstrou preocupação na terça-feira como tempo curto para as negociações comerciais globais e teme queseja muito difícil um acordo se as conversas se prolongarem atéjunho. O secretário-geral da Organização Mundial de Comércio(OMC), Pascal Lamy, afirmou recentemente acreditar que umavanço nas negociações da Rodada de Doha, que já têm sete anos,seja possível até o final de maio. Amorim afirmou que o ponto de partida para qualquer avançocontinua sendo um acordo para limitar os subsídios agrícolas doOcidente e garantir a abertura dos mercados. "Pascal Lamy está um pouco otimista", disse Amorim depoisde se reunir com o chefe da OMC em uma conferência de comércioe desenvolvimento da ONU em Gana. "Eu também estou otimista, mas acho que ainda existe umcaminho a percorrer e estou um pouco preocupado com o passar dotempo", disse ele à Reuters. Amorim afirmou que os negociadores precisam concluir umacordo revisado sobre tarifas e subsídios agrícolas em brevepara que uma rodada final de negociações possa ser retomada bemantes das eleições presidenciais nos Estados Unidos. "Uma coisa que sabemos que não poderemos adiar é a eleiçãonorte-americana, por isso acho que é muito importante quetodos, incluindo o presidente do comitê agrícola, estejamcientes desse fato", disse ele. Questionado se é possível chegar a um acordo em maio,Amorim respondeu: "Estou cada vez mais preocupado que maiopossa ficar para junho e, se passarmos de um dado momento emjunho, pode ficar muito tarde. Estou realmente preocupado comisso". O recente aumento dos preços mundiais dos alimentos, quecausou tumulto em muitos países pobres e que pode se manter porum longo tempo, mudou as circunstâncias das negociações, disseele. "É importante que esses países (pobres) possam verbenefícios reais nas limitações aos subsídios, na abertura dosmercados, e é claro que isso vai exigir mais liderança dospaíses desenvolvidos do que talvez há dois anos", disse ele. "O que eles têm que fazer é um compromisso de que no futuronão vão gastar mais do que estão gastando agora", disse ele.

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