ENTREVISTA-Banco Mundial vê risco de recessão nos EUA

Os Estados Unidos podem estarcaminhando em direção a uma recessão, a Europa ainda enfrentaperturbações no mercado financeiro, mas os países emdesenvolvimento estão mostrando poucos sinais de serematingidos, disse o presidente do Banco Mundial, RobertZoellick. "Eu não faço previsões econômicas. As pessoas estãodiscutindo: vai haver uma desaceleração ou recessão?", disseZoellick à Reuters. "Sem levar em consideração esse debate, há uma sériadesaceleração econômica em relação ao que tínhamos antes, epoderá muito bem haver uma recessão", disse ele, referindo-se àeconomia norte-americana. Quedas maiores são esperadas devido ao aperto nos mercadosde crédito que forçou o banco de investimentos dos EstadosUnidos Bear Stearns a procurar financiamentos emergenciais nasemana passada, segundo afirmou Zoellick em uma entrevistadurante o Fórum de Bruxelas, uma conferência sobre relaçõesinternacionais. A Europa também deve ter problemas relacionados com o setorde hipotecas de risco, além dos que atingiram os bancos alemãesrecentemente. "Minha visão pessoal (é que) há mais a ser enfrentado nosmercados europeus também", disse Zoellick, um ex-representantedo comércio norte-americano que passou por cargos altos noTesouro e Departamento de Estado. "Isso se difunde mais amplamente do que se pode imaginar.Eu acredito que uma das coisas que nós temos visto no mercado éque o uso destes instrumentos tem sido bem mais disseminado doque as pessoas inicialmente pensavam." Mas o impacto em economias em desenvolvimento até agoraestá limitado, se comparado com a maneira como os mercadosemergentes caíam, em um efeito dominó, nos anos 1980 e 1990,quando o Sudeste da Ásia, a Rússia e a América Latina caíram emcrises de desvalorização, disse Zoellick. "O que é impressionante neste período de perturbaçãofinanceira é a relativa ausência de efeitos, se comparada aoutros períodos."

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