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ENTREVISTA-Bioeletricidade renderá mais que açúcar no futuro

A bioeletricidade deverá garantir, nofuturo, uma parcela no faturamento das usinas de cana maior atédo que a do açúcar, mas antes o setor terá de superarobstáculos, alguns deles relacionados ao preço pago pelomegawatt hora (MWh) nos leilões do governo. "Hoje a bioeletricidade representa pouco do faturamento.Mas entendemos que no médio e longo prazos deverá ser maisimportante que o açúcar. Ou seja, o principal produto será oálcool e o segundo será a eletricidade", afirmou o presidenteda Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar), Marcos Jank. Em entrevista à Reuters no intervalo de um seminário em SãoPaulo, ele disse ainda que o setor, assim, será mais energéticodo que alimentar, embora isso dependa também de questões como aabertura do mercado mundial de álcool, da harmonização dostributos do combustível entre Estados, que provoca distorçõesno mercado interno, e de um programa de bioeletricidade. O primeiro passo para o desenvolvimento da energia elétricade biomassa, destacou o executivo da associação das usinas docentro-sul do Brasil, seria dado com a realização de um leilãono começo do ano que vem voltado especificamente para acomercialização de bioenergia, gerada por meio da queima dobagaço da cana e da palha. "Estamos estudando com o governo mecanismos que façam comque as usinas antigas, onde está a maior parte da cana, tenhamremuneração adequada em um grande leilão, que seria feito noano que vem, após o Carnaval, exclusivamente para abioenergia", disse Jank. O presidente da Unica afirmou ainda que para a"bioeletricidade sair em grande volume no leilão do ano quevem" vão ser necessárias "medidas concretas e urgentes". Nosleilões deste ano, segundo ele, o preço não atraiu as usinas. Por meio dos leilões, o governo garante a oferta de energiapara o futuro, uma vez que as distribuidoras realizam negócioscom as fontes geradoras. "Teríamos condições de entrar em umleilão que ofertasse pelo menos 3 mil MW a partir de 2010", oequivalente a uma das usinas do rio Madeira, que deve começar afuncionar em 2013. MECANIZAÇÃO No último leilão, o preço médio da energia térmica fechouem 128,37 reais por MWh, valor que é considerado baixo pelaUnica, que diz que as alternativas termelétricas (carvão e óleocombustível) têm um custo para a sociedade superior a 200 reaispor MWh, computados aí as emissões de dióxido de carbono. "Para quem está expandindo ou quem está construindo novasusinas, esse pessoal, com grandes caldeiras, entra no leilão eaí tem um bom retorno", acrescentou Jank, lembrando que muitosempresários agora estão montando as suas operações baseadasapenas na produção de álcool e geração de energia. "Mas para o pessoal das (usinas) mais antigas, em ano depreços do álcool e do açúcar ruins, considerando que asempresas vão ter que fazer adaptações, então nesse momento nãose viabiliza (a participação nos leilões)." A energia de biomassa, especificamente a de subprodutos dacana, é tida por especialistas como importante complemento deoutras fontes, como a hidrelétrica, uma vez que a safra ocorrejustamente no período em que os reservatórios estão baixos. A Unica prevê ganhos com a bioeletricidade em um momentoque cada vez mais se intensifica a colheita mecanizada nocentro-sul brasileiro, que vai resultar em maior volume dematéria-prima para ser queimada nas caldeiras. A colheita mecanizada, que deve passar de 41 para 48 porcento da área de cana em São Paulo na próxima safra, permiteque as usinas utilizem a palha nas caldeiras. Na colheitamanual, essa parte da cana é queimada para facilitar o corte. Além do preço, a Unica espera ver resolvidos problemas comoa morosidade na liberação das licenças para que as usinaspossam vender energia, além de questões relacionadas às linhasde transmissão entre as usinas a as subestações, aindadeficitárias. "Nenhuma empresa vai entrar no leilão se nãotiver segurança que as coisas vão acontecer", completou Jank. (Edição de Marcelo Teixeira)

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