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ENTREVISTA-China e Índia são 'novos colonizadores', diz Soros

Famintas por petróleo e minérios, Índia eChina tornaram-se os novos colonizadores da África, explorandoo continente mais pobre do mundo do mesmo modo como seus velhossenhores europeus fizeram, disse nesta terça-feira o bilionáriofinancista George Soros. A disputa das nações européias por recursos, de escravos adiamantes e ouro, levaram-nas a subjugar os povos da África pormeio do colonialismo. Depois que a independência varreu ocontinente, nos anos 1950 e 1960, elas freqüentemente apoiaramregimes corruptos e ditatoriais. Ao longo da última década, em meio à preocupação de que osminérios alimentavam guerras desde Angola até à RepúblicaDemocrática do Congo, governos ocidentais e multinacionaispassaram a aceitar amplamente a necessidade de as indústriasextrativistas prestarem contas e agirem com transparência. Mas Índia e China, que estão injetando bilhões de dólaresem empréstimos e investimentos na África, ainda não fazem isso,disse Soros. "Eles estão em vias de repetir os erros que as potênciascoloniais cometeram", afirmou Soros à Reuters, em Dacar, acapital do Senegal. "Há uma certa ironia no fato de os velhoscolonizadores reconhecerem seus erros passados e tentaremcorrigi-los, e os novos colonizadores repetirem aqueles erros." Soros, cujas fundações filantrópicas despenderam 45 milhõesde dólares na África no ano passado, espera que as empresaschinesas endureçam seus critérios para investimento, embora eleadmita que a demanda da China por produtos naturais tenhatrazido benefícios para o continente, sustentando seu maisforte crescimento em quatro décadas. "Isso é que dá a base para que a perspectiva econômica daÁfrica esteja até certo ponto à margem do atual clima deretração mundial", disse ele, classificando o panorama para aÁfrica como "bastante bom" "Não espero uma recessão global. Prevejo uma recessão naseconomias desenvolvidas, mas há dinâmicas muito positivas parao mundo em desenvolvimento, em especial para áreas ricas emrecursos naturais", afirmou Soros, que tem fortuna de 8,5bilhões de dólares. Para os países africanos que não são sortudos o suficientepara possuir riqueza mineral, a perspectiva é mais sombria.Estados não-produtores de petróleo estão perdendo mais, emtermos econômicos, por causa dos preços recordes do petróleo,do que já ganharam com o perdão de sua dívida externa peloOcidente, disse Soros.

DANIEL FLYNN, REUTERS

05 de fevereiro de 2008 | 17h58

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