ENTREVISTA-Citi muda foco do 'private banking' para fora dos EUA

O Citi espera conquistar clientes ricos nos mercados emergentes em um ritmo muito mais rápido do que nas Américas, disse sua principal executiva, refletindo a reformulação do banco depois do duro golpe sofrido na recente crise do crédito.

CHRIS VELLACOTT, REUTERS

15 de fevereiro de 2010 | 11h26

O banco prevê que em cinco anos o patrimônio de clientes sob sua gestão nas Américas cairá para um terço. A estratégia da empresa atualmente é conquistar clientes super-ricos, com patrimônio superior a 25 milhões de dólares, e não mais apenas os moderadamente ricos.

"As pessoas tendiam a pensar nos 'private banks' como (bancos) suíços com escritórios com lambris de madeira (...), e acho que um torpedo atingiu esse modelo", disse Jane Fraser, diretora de "private banking" (administração de grandes fortunas) do Citi, em entrevista à Reuters na noite de sexta-feira.

"Em todo o setor temos de reconquistar a confiança do cliente, e essa certamente é a prioridade para nós, porque a credibilidade do setor está duramente abalada", afirmou ela.

Prejuízos para os clientes, uma crescente pressão sobre o sigilo bancário e fraudes espetaculares, como a que foi protagonizada por Bernard Madoff, macularam a reputação do setor de gestão financeira, que atende a milionários e bilionários.

O Citigroup aumentou sua base de clientes nos últimos 12 meses, segundo Fraser, revertendo o esvaziamento anterior. Agora, a executiva está de olho em aumentar o faturamento proporcional do "private banking" e espera avançar sobre a participação de rivais como UBS e Merrill Lynch nesse nicho.

O Citi tem o terceiro maior "private" do mundo em termos de patrimônio, com cerca de 1,3 trilhão de dólares na sua carteira, embora isso inclua todo o patrimônio do Citi, segundo a consultoria Scorpio Partnership.

Sem revelar o total, Fraser admitiu que o montante gerido apenas pelo "private" do banco é mais baixo.

A maior parte dos negócios do Citi envolve clientes ricos nas Américas, particularmente os EUA, que representam quase metade dos clientes e patrimônio, e com a Ásia, que tem cerca de 30 por cento do total --número que ainda deve crescer.

"É aí que estará muita da riqueza (...), é aí que muitas conversas (com clientes) estão se dando atualmente", disse Fraser, que trabalha em Londres.

O Citi decidiu se desfazer de patrimônios não essenciais durante a crise, e Fraser foi a principal arquiteta do novo banco, com um programa de desinvestimento que angariou mais de 20 bilhões de dólares por meio da venda de 25 unidades de negócios.

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