ENTREVISTA-Comissário da UE diz ainda crer na Rodada de Doha

O comissário de Comércioda União Européia, Peter Mandelson, disse na segunda-feiraachar possível a conclusão da Rodada de Doha a partir das novaspropostas em discussão na Organização Mundial do Comércio(OMC). Os negociadores devem divulgar nesta semana os novos textospreparados que abririam caminho para eventuais reuniões entrerepresentantes comerciais e ministros dentro de um mês. "Eles contêm elementos novos e significativos refletindo oprogresso substancial que fizemos nas recentes negociações",disse Mandelson à Reuters. "Acho que o que temos sobre a mesa já é um esboço de acordoque vale pelo menos duas ou três vezes mais para a economiaglobal do que aquilo que foi fornecido pela rodada anterior noUruguai", completou ele. A Rodada de Doha já está em seu sétimo ano de negociações.O processo é complicado devido a discordâncias entre paísesricos e pobres, especialmente a respeito de subsídios e tarifasagrícolas, embora também haja questões envolvendo a abertura desetores industriais e de serviços. O calendário eleitoral dos EUA e de outros países faz comque 2008 seja tratado como o limite para a conclusão do acordo. "Entendo as dificuldades e problemas políticos que aindavamos enfrentar", disse Mandelson, que participa no Egito deuma reunião do Fórum Econômico Mundial. Ele citou a polêmica a respeito dos subsídios agrícolas nosEUA e as discussões sobre reduções nas tarifas de Brasil, Chinae Índia sobre bens industriais. Mandelson havia criticado uma versão anterior das propostasem discussão por permitirem que grandes países emdesenvolvimento blindassem alguns setores industriais, como osde produtos químicos e têxteis e os automóveis. O comissário também disse na segunda-feira que a Rodada deDoha é uma parte essencial da luta contra a escassez dealimentos no mundo. "Se quisermos combater as causas da crise alimentar, temosde realizar uma reforma fundamental do comércio agrícola nomundo. O veículo para fazer isso é a negociação de Doha. Sefracassarmos, teremos perdido uma grande oportunidade derealizar uma reforma fundamental."

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