ENTREVISTA-Conselheiro de Obama diz que Fed sozinho nã resolve

A rápida ascensão de Barack Obama,pré-candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, emmeio a temores de uma recessão econômica, trouxe suas polêmicaspolíticas fiscais para o centro das atenções. Austan Goolsbee, principal conselheiro econômico do senadorde Illinois, descreveu nesta segunda-feira a política econômicade Obama como um mix eclético que favorece a redução deimpostos sobre a classe média e o aumento da taxação sobre osganhos com capital. Ele apóia a elevação do salário mínimo e quer reabrirtratados comerciais como o Nafta (acordo com Canadá e México)para incluir proteções ambientais e trabalhistas. Em entrevista à Reuters, Goolsbee disse que a economia estáclaramente afundando com o peso da crise imobiliária, do apertono crédito e da alta da inflação --problemas que não podem serresolvidos somente com o corte nos juros. "Isso vai ser no mínimo doloroso e certamente pode setornar uma situação muito difícil", afirmou Goolsbee, professorde economia da Universidade de Chicago. "Não podemos confiar somente no Federal Reserve nessemomento. Eu acho que faz sentido considerar as opções depolítica fiscal para ajudar a evitar que essa coisa seespalhe", acrescentou. Com a vitória em Iowa e a liderança nas pesquisas para asprimárias em New Hampshire, Obama está recebendo uma atençãoespecial do público e a mídia tenta sondar suas políticas. O Wall Street Journal prevê que ele imporia um aumentorecorde nos impostos, e outros participantes do mundofinanceiro não estão certos sobre o que esperar de umaPresidência de Obama. Obama fala de um crédito tributário de até 500 dólares porpessoa, ou 1.000 dólares por família, para contrabalançar osimpostos sobre folha de pagamento que elas pagam. De acordo como portal da candidatura na Internet, isso eliminariacompletamente a tributação sobre a renda de 10 milhões depessoas. Ao mesmo tempo, ele apóia a expiração dos cortes deimpostos do governo Bush e o aumento das taxas sobre capital. Para Goolsbee, o plano de Obama para reduzir os impostossobre a classe média vai aliviar a pressão de curto prazo sobreos orçamentos familiares e levantar a economia, que se sustentapesadamente nos gastos dos consumidores. Na sexta-feira, um relatório do governo mostrando que aeconomia criou muito menos empregos do que o esperado emdezembro e que a taxa de desemprego saltou para 5 por centoaumentou o temor de que uma recessão seja iminente. Isso ajudou a tirar o Iraque do foco da eleição paracolocar as questões econômicas. A página editorial do Wall Street Journal, conhecida pelaorientação conservadora, disse que "o liberalismo ortodoxo" deObama é uma fraqueza potencial da eleição de novembro. O jornalo classificou como "mais à esquerda até do que Hillary Clinton"em matéria de tributos, e disse que suas políticas vão provocar"o maior aumento de impostos da história, de longe". Goolsbee disse que a política tributária de Obama é muitoeclética para ser considerada de esquerda, acrescentando: "eurejeito completamente essa premissa". Ele apontou que Obama seantecipou bastante a outras pessoas ao pedir há meses reduçõesde impostos para fortalecer a economia. Para os investidores, o apoio de Obama a maiores taxassobre ganhos com capital e dividendos é a principal questão,disse Greg Valliere, estrategista-chefe do Stanford Group, emWashington. Ele disse que Wall Street espera amplamente queHillary vença as primárias democratas.

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