Luciana Aith/Divulgação
Luciana Aith/Divulgação

‘Só inovando o tempo todo você será relevante’, diz presidente do Google no Brasil

Executivo Fábio Coelho relata impactos da pandemia e a luta para ‘valorizar conteúdos e remover os ruins’

Entrevista com

Fábio Coelho, presidente do Google Brasil

Sonia Racy, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2022 | 05h00

Comandar, em tempos de pandemia, uma empresa como o Google Brasil, num cenário em que as demandas e urgências mudam do dia para a noite, exige mais que trabalho e organização. “Você só consegue se manter relevante se mantiver a inovação o tempo todo. E o Google tem conseguido isso”, conta o executivo Fabio Coelho nesta conversa com Cenários. Num ambiente “muito mais competitivo e extremamente volátil”, com fake news por todo lado a desafiar suas rotinas, não foi fácil, admite. “A empresa inteira precisou se mobilizar”.

Foi na área de negócios digitais da AT&T americana, que ele dirigiu por mais de uma década, somada a passagens pelo Citibank e Pepsico, que esse capixaba de 57 anos “fez a cabeça” para enfrentar a pauleira dos últimos dois anos. Engenheiro civil pela UFRJ, com pós-graduação em Harvard, ele tem atuado desde 2010 para estimular o ecossistema digital no País.

Mas, e as fake-news? “Elas sempre existiram, e a gente teve sempre no Google um trabalho sério para valorizar conteúdo”, adverte. E faz uma previsão: “Com o tempo vai haver uma depuração nas redes e o que temos agora será lembrado como um passado distante”.

A seguir, os melhores trechos da conversa.

O Google é hoje sinônimo do setor, como foi a marca Gillette anos atrás. É parecido?

O Google se consolida, cada dia mais, como sinônimo de uma categoria, o que é uma tremenda responsabilidade e, ao mesmo tempo, um privilégio. E foi ainda mais importante na pandemia, se você pensar que o brasileiro tinha de tomar decisões em casa, precisando entender o mundo que mudava todo dia ante seus olhos. A gente sabe do tamanho dessa responsabilidade.

De que modo o Google mudou diante da pandemia?

O digital, em geral, surgiu como um complemento de nossa vida física – aplicativos pra pedir comida são apenas um exemplo. Mas na pandemia a missão era outra. Tínhamos um cidadão confinado e isso exigia uma estratégia. A empresa inteira precisou se mobilizar. Imagina um restaurante que não tinha entrega online e precisou disso pra sobreviver. Ou uma criança que precisava estudar por videoconferência. Outro exemplo de peso, a distribuição do Auxílio Emergencial. Quando o aplicativo para isso surgiu, veja quantos milhões de cidadãos o usaram para ter esse dinheiro.

Contrataram mais gente?

Hoje devemos ter algo como 1.500 funcionários diretos mas são mais de 3.000 trabalhando, e acordos com mais de 70 parceiros distribuindo conteúdo no País.

Acha que vão aparecer outros Googles no futuro?

O que impede o aparecimento de novas empresas é a dificuldade de inovar. A Gillette é hoje uma bela marca que pertence à Procter & Gamble. A caneta BIC é outro exemplo. E enquanto elas mantiverem a qualidade, serão sempre destaques. No digital é a mesma coisa. Não digo que o Google é dominante, mas ele tem hoje uma boa posição no mercado.

De qual tamanho?

A gente não mede assim. O Google é mais um sistema de plataformas do que uma plataforma única. Você tem o YouTube pra vídeo, o Chrome como sistema operacional, o Android, o Maps. E tem o buscador também. Esse é um ambiente muito competitivo e volátil. Você só será relevante nesse mundo novo se conseguir inovar o tempo todo. O Google tem conseguido isso.

O surgimento das fake news levanta a questão sobre os limites das plataformas. Como vê isso?

As fake news sempre existiram, e nos ambientes digitais são mais frequentes. No Google sempre tivemos um empenho sério de valorizar os conteúdos, remover os ruins. Esse fenômeno da desinformação é recente, a sociedade já começa a lidar com ele, entendendo que não pode acreditar em tudo. É importante haver sistemas como o Comprova, para checagem dos fatos e para valorizar o que é verdade.

Pode revelar quanto o Google está investindo no Brasil? Ou é confidencial?

Não é questão de ser confidencial, é que o Google faz investimentos a longo prazo, no Brasil e no mundo. Agora em junho a gente deve fazer um grande evento – o Google for Brazil – para falar dos próximos anos. Temos investimentos em cabos submarinos, conectamos o Brasil com os EUA, Europa e vários datacenters. E temos um investimento em engenharia em Belo Horizonte, são mais de 200 engenheiros, e um prédio na rua Oscar Porto, em São Paulo que, em seis anos, já acelerou mais de 300 startups.

De que modo acha que o setor vai mudar olhando o futuro?

Estamos falando aqui de distribuição de informação e conteúdo para qualquer lugar do mundo, a pessoas que jamais imaginaram que poderiam ver o que estão vendo – tudo associado a uma informação não tão boa. Mas com o tempo vai haver uma depuração das redes e o que temos agora será lembrado como um passado distante. Temos de continuar trabalhando para que os brasileiros possam tomar as melhores decisões possíveis.

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