Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

ENTREVISTA-Para Merrill, taxa de juro brasileira sustenta real

O real brasileiro continuará "bemancorado" em 2008 à medida que as altas taxas de jurosdomésticas atraem recursos externos, compensando um esperadodéficit em conta corrente neste ano, disse o chefe deestratégia global de câmbio do Merrill Lynch em entrevista. A moeda local pode se fortalecer até a cotação de 1,6 realpor dólar em março, antes de voltar a 1,8 real por dólar no fimde 2008, disse Daniel Tenengauzer. A moeda brasileira, queganhou 20 por cento em 2007 e já acumula alta de 5 por centoneste ano, fechou cotada a 1,692 real por dólar nestesexta-feira. A taxa real de juro doméstica está entre as maiores domundo, a 6,5 por cento, atraindo investimentos em renda fixa. O fluxo de entrada de dólares para os bônus e derivativoslocais devem ajudar a sustentar o real mesmo com o paísdivulgando o primeiro déficit em conta corrente em seis anos em2008. "Dado o patamar da conta corrente, dado quão alta está ataxa real de juro, a combinação destes dois fatores torna amoeda ainda bastante atraente", disse Tenengauzer ementrevista. " Amenos que a conta corrente se deteriore muito daqui atéo final do ano, a moeda deve se manter bem ancorada", disseele. O Banco Central prevê que o Brasil terá um déficit de 3,5bilhões de dólares em conta corrente em 2008, comparado com umsuperávit de 3,35 bilhões de dólares em 2007 e um superávit dequase 14 bilhões de dólares em 2005. O déficit esperado paraeste ano não é um problema pois o país está crescendo em umritmo forte e precisa de máquinas e bens de consumo, disseTenengauzer. TAXA DE JUROS O BC deve manter na próxima semana a taxa Selic inalteradaa 11,25 por cento pela quarta reunião consecutiva do Comitê dePolítica Monetária, para manter a inflação sob controle,segundo pesquisa da Reuters com 29 economistas. A estável taxa brasileira contrasta com os cortes dos jurosnorte-americanos e as expectativas de redução nas taxaseuropéias. Isto aumenta a atração do real para os investidoresinteressados nas operações de arbitragem que fazem empréstimosem países de juros baixos, como o Japão. "Isso não é sobre as operações de carry trade, é sobrequanto você consegue de remuneração para os riscos que estácorrendo", disse Tenengauzer. "No Brasil, estamos sendoremunerados pela segunda maior taxa real de juros no mundo emum país que está efetivamente equilibrado." Ainda assim, o Merrill Lynch espera que o real perca partede sua valorização até o final do ano à medida que o superávitcomercial cair e o BC cortar sua taxa básica de juros. "Nós acreditamos que o real irá se enfraquecer até o finaldo ano, mas nós não vemos isto como o fim do mundo", disseTenengauzer. "Nós ainda vemos um bom ambiente para o real nospróximos meses."

ELZIO BARRETO, REUTERS

29 de fevereiro de 2008 | 20h14

Tudo o que sabemos sobre:
MERRILLCURRENCY

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.