ENTREVISTA-Próxima safra de café na região da Cooxupé cairá 35%

A produção de café na área de atuação da Cooxupé, a maior cooperativa de cafeicultores do mundo, deverá atingir na temporada 2011/12 cerca de 6 milhões de sacas, uma redução expressiva em relação ao volume de 9,3 milhões de sacas da colheita 2010/11, afirmou nesta terça-feira o presidente da instituição.

ROBERTO SAMORA, REUTERS

04 de janeiro de 2011 | 18h03

"A primeira avaliação é que a safra na área de atuação da Cooxupé terá uma quebra de 35 por cento sobre 2010", afirmou Carlos Alberto Paulino da Costa, antecipando o dado em entrevista à Reuters.

Segundo ele, a colheita que começará daqui a cinco meses será menor após um ano de produção abundante e por conta da forte estiagem que afetou a lavoura durante alguns meses no ano passado.

"É um problema fisiológico do café arábica. Todos os cafezais que produzem muito num ano, no outro produzem pouco", explicou. "Isso é histórico no Brasil, ocorre há mais de 100 anos."

Costa observou que a produção na região da cooperativa, em uma área de 300 mil hectares que abrange o Sul de Minas, Triângulo Mineiro e norte de São Paulo, também sofrerá por conta de outros fatores.

"É uma série de motivos: primeiro porque a safra (passada) foi boa; segundo, a seca foi muito severa; terceiro, os preços baixos que tivemos até o início de 2010 desestimularam os tratos culturais, o pessoal diminuiu a fertilização."

Por conta da safra menor, para 2011 a meta de recebimento de café pela Cooxupé será de 3,1 milhões de sacas, contra 4,2 milhões de sacas no ano passado, disse o presidente.

A previsão de produção, realizada com base na avaliação feita por agrônomos da cooperativa em 250 propriedades da região da Cooxupé (entre lavouras grandes, médias e pequenas, de alta e baixa tecnologia), dá alguma ideia de como será a próxima safra brasileira.

"O Sul de Minas inteiro obedece esses dados nossos, e o Cerrado Mineiro obedece também a nossa tendência... Zona da Mata foge um pouco do nosso padrão", avaliou Costa, evitando extrapolar avaliações para o Brasil.

Minas Gerais responde por aproximadamente metade da produção nacional de café.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulga a sua primeira projeção para a próxima safra do país na quinta-feira. Em 2010/11, segundo a estatal, o Brasil colheu 48,1 milhões de sacas (arábica e robusta).

O produção de café robusta, que praticamente não existe em Minas, não costuma variar muito de ano para ano, e somou no país 11,3 milhões de sacas em 10/11.

Por conta da seca e após um longo período de preços baixos --só começaram a reagir com mais intensidade no início do ano passado--, a safra da região da Cooxupé deverá ser inferior à do último ano de baixa do ciclo do arábica. Naquele período, a produção foi de 6,42 milhões de sacas.

"Vai ser mais ou menos igual a de 2009/10, até um pouco menos... A produção está praticamente definida, só se tiver uma tragédia climática, coisa que não acredito, mas o que vai produzir já está na árvore."

2012/13

Os preços do café agora estão em patamares elevados no mercado internacional, próximos de uma máxima de mais de 13 anos em Nova York, por conta de uma escassez do produto de alta qualidade no mundo.

E isso se reflete no mercado brasileiro, o que deverá ter efeito positivo na temporada 2012/13.

O produtor da Cooxupé recebia cerca de 260 reais por saca de café em maio do ano passado, contra até 410 reais atualmente para o produto de melhor qualidade, segundo Costa, que ressaltou que os produtores têm uma melhor rentabilidade agora após vários anos de cotações baixas.

Dessa forma, os cafeicultores estão investindo mais em suas lavouras. "Em 2012, acho que vamos ter safra boa porque com essa recuperação de preço, o pessoal ficará mais animado e tratará melhor."

(Por Roberto Samora; edição de Aluísio Alves)

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