ENTREVISTA-Shinohara, do FMI, elogia ação do BC japonês mas faz alerta

O agressivo afrouxamento monetário do banco central do Japão é uma ação bem-vinda para reanimar a economia, mas pode levar a uma alta futura nos yields dos títulos, a não ser que seja acompanhado de um guia confiável de consolidação fiscal, afirmou o vice-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional, Naoyuki Shinohara.

LEIKA KIHARA, Reuters

17 de abril de 2013 | 08h27

Shinohara disse que a desvalorização do iene desde que o BC lançou sua ação de expansão monetária não era excessiva, e que isso irá ajudar a terceira maior economia do mundo a se recuperar da estagnação.

"Os atuais movimentos (do iene) não estão voláteis e são resultado da política monetária do BC. Nós não devemos negar que a desvalorização do iene está entre os vários efeitos positivos do afrouxamento monetário", afirmou Shinohara em entrevista à Reuters.

Shinohara, que foi um dos principais diplomatas cambiais do Japão, descartou preocupações de alguns analistas de que maiores desvalorizações do iene podem ser prejudiciais em vez de apoiar a economia por meio do aumento do custo de importados.

"Quando o iene se move em uma certa direção, sempre haverá setores que irão se beneficiar do movimento e setores que serão prejudicados. Levado tudo em consideração, vemos que a desvalorização do iene é positiva para a economia do Japão", disse ele.

O BC japonês chocou os mercados financeiros globais no começo do mês com uma revisão radical da política monetária, prometendo injetar cerca de 1,4 trilhão de dólares na economia em menos de dois anos por meio da compra de dívida governamental e ativos de risco.

Desde o lançamento do programa do BC em 4 de abril, o índice acionário Nikkei avançou para perto da máxima em cinco anos e o iene afundou para o menor nível em quatro anos, de aproximadamente 100 por dólar.

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