ENTREVISTA-Thomson Reuters concorrerá com gigantes da informação

A nova Thomson Reuters Corp deverácompetir mais diretamente com a Bloomberg e com a ReedElsevier, mas o presidente-executivo da companhia combinada,Tom Glocer, vê espaço para a empresa também concorrer comGoogle e Microsoft . "Haverá um punhado de grandes empresas de informação",disse Glocer, 48, em entrevista em seu escritório no prédio daReuters em Times Square, na véspera da conclusão da compra doReuters Group pelo grupo editorial canadense Thomson Corp, pormais de 16 bilhões de dólares. "Todos nós vamos manter um olho em cada um", disse Glocer."Vamos todos competir em algumas áreas, cooperar em outras." A Thomson Reuters, que começa a ser negociada em bolsas devalores de Londres, Toronto e Nova York nesta quinta-feira,será conhecida principalmente por seu serviço global denotícias, produtos de dados e tecnologia voltada paraprofissionais do setor financeiro e por seu portfólio deprodutos que atendem os setores jurídico, científico, contábile de saúde. Por trás disso está a idéia de Glocer sobre o que chama de"informação inteligente" --sua meta de longo prazo de unirfontes de dados de ambas as companhias. O executivo queroferecer aos clientes fácil acesso à informação que precisapara executar suas atividades e quer que eles paguem pelaconveniência. A maior parte dessas ferramentas não é tão reconhecida pelopúblico, mas Glocer prefere se concentrar nelas que em competirdiretamente contra os Googles e Microsofts do amplo mundo dosconsumidores. "Não teremos um estúdio de cinema. Não vamos lançar umarede social para adolescentes", disse o executivo, referindo-seao conglomerado de mídia News Corp., que controla os estúdios20th Century Fox e à rede social MySpace. "Estamos realmente focados em profissionais, pessoas quenos pagam por nosso conteúdo e serviços", disse Glocer. "O quevocê me pagaria pela previsão de tempo de Nova York amanhã?Provavelmente nada." Por outro lado, o executivo afirmou que uma companhia deseguros poderia ver muito valor em conseguir um "conteúdometerológico, sob medida, com a previsão de longo alcance defuracões na Flórida durante a temporada de 2008". "Você me pagará por isso se eu puder melhorar alucratividade de suas operações, como resultado", disse Glocer. Ainda assim, conglomerados de informações e comunicaçõestêm um caminho de crescimento em novos territórios ao longo dotempo, citou o executivo. "Eu creio que o Google funciona claramente como ummecanismo de monetização para muitos conteúdos voltados aconsumidores. A questão é se eles querem ir para qualquer áreaalém disso", disse Glocer. "Eu creio que a News Corp-Dow Jonestem potencial de sentar à mesa. Eu acredito que Microsoft-Yahootambém, se eles desistirem da fusão e se a Microsoft abraçarconteúdo mais que antes." Apesar de Glocer se concentrar em serviços paraprofissionais, ele apóia novas maneiras livres de comunicaçãocom o mundo. Ele mantém um perfil na rede social Facebook eescreve um blog no endereço tomglocer.com. Ele também deu luzverde para a Reuters montar uma redação no Second Life, mundovirtual online. Glocer era advogado especializado em fusões e aquisições noescritório Davis Polk & Wardnell, em Nova York, antes deingressar na Reuters em 1993 como vice-presidente evice-conselheiro. Em julho de 2001, Glocer tornou-se presidente-executivo daReuters, pouco antes da crise dos mercados globais que gerouqueda de receitas e o primeiro prejuízo da companhia desde1984. IMUNIDADE No futuro próximo, a Thomson Reuters terá que lidar comoutros períodos de problemas no cenário financeiro. "Não somos imunes ao ciclo financeiro", disse Glocer. "Temhavido claramente um enorme deslocamento nos mercados decrédito, que abateu uma série de fundos e o Bear Stearnstambém." Mas o executivo afirmou que os negócios de câmbio daReuters estão produzindo volumes e receitas enormes, assim comoas áreas de commodities e informação sobre energia." "Estou mais preocupado com os efeitos da crise financeirasobre a economia real e quais são as implicações de umarecessão real que com as histórias de crise específicas sobrefinanças", disse ele. E enquanto a Thomson Reuters constrói sua posição emnotícias e dados financeiros, Glocer afirma que não podeimaginar a companhia sem uma divisão de notícias gerais e depolítica, incluindo cobertura sobre entretenimento, porqueessas áreas "são incrivelmente entrelaçadas com a economia".

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