ENTREVISTA-UE está perto de fixar padrões para biocombustíveis

A União Européia (UE) estáperto de selar um acordo sobre os padrões para osbiocombustíveis dando destaque à defesa dos direitos humanos ede espécies ameaçadas, disse o diplomata responsável porcomandar essas negociações. Mas a questão central sobre quanto de gás carbônico deveriaser poupado continua em debate. A utilização dos biocombustíveis amplia-se enquanto ospaíses desenvolvidos tentam diminuir sua dependência em relaçãoao petróleo importado e cortar as emissões de gases do efeitoestufa. Críticos dessa alternativa, no entanto, dizem que aprática estimula o desmatamento e fez aumentar o preço dosalimentos ao tirar terras da produção de grãos. Como parte de seus esforços para liderar o mundo no combateàs mudanças climáticas, a UE pretende, até 2020, que 10 porcento do combustível gasto com os meios de transporte em seuterritório venham de fontes renováveis. O bloco criou um grupo de trabalho em fevereiro formado porespecialistas da Comissão Européia e dos países-membros a fimde discutir formas de atingir essa meta sem provocar danossociais ou ambientais. "A possibilidade de conseguir um acordo aumentou muitoagora", afirmou Marian Kresal, que preside aquele grupo detrabalho em nome da Eslovênia, que na terça-feira entrega aPresidência rotativa do bloco à França. Na semana passada, o grupo de ajuda humanitária Oxfam disseque os efeitos devastadores dos biocombustíveis estão deixandopobres 30 milhões de pessoas no mundo todo. E, nesta semana, um relatório vindo da Grã-Bretanha eaguardado há muito tempo aconselhará o governo britânico arespeito de outros efeitos indesejados dessa política. Grupos humanitários dizem que as metas da UE encorajam aexploração de mão-de-obra nos países exportadores debiocombustíveis. O grupo de trabalho do bloco estudou a possibilidade deimpor padrões compulsórios aos exportadores, tais como orespeito às leis da Organização Internacional do Trabalho(OIT). A idéia, no entanto, perdeu força devido à preocupaçãode que violaria as regras da Organização Mundial do Comércio(OMC). Os esforços para criar um mercado sustentável debiocombustíveis vêm sendo observados de perto por produtores depaíses como o Brasil, que esperam que a imensa demanda da UEcrie uma massa crítica capaz de transformar os biocombustíveisem uma alternativa global. Os biocombustíveis que não atingirem os novos e rígidospadrões da UE não serão banidos, mas os países-membros ficarãoimpossibilitados de computá-los a fim de atingirem suas metasde uso de combustíveis vindos de fontes renováveis. Ambientalistas também argumentam que a produção debiocombustíveis provoca desmatamento, tanto direta quantoindiretamente, ao ocupar terras férteis e obrigar osfazendeiros a derrubarem árvores a fim de abrir espaço paraproduzir alimentos. "Estamos perto de chegar a um acordo sobre como proteger afloresta", disse Kresal. "Não seria possível produzirbiocombustíveis a partir de terras disponibilizadas de forma aaumentar a emissão de carbono".

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