ENTREVISTA-Unidade da CMPC no Brasil deve antecipar expansão

A Celulose Riograndense, antiga unidade de Guaíba (RS) da Fibria e hoje pertencente à chilena CMPC, deve antecipar o aumento da produção na unidade e estima reduzir em até 10 por cento o valor do investimento previsto.

* FORTE DEMANDA SUSTENTA, REUTERS

28 de maio de 2010 | 17h51

A estimativa inicial era de que os investimentos no aumento da capacidade da fábrica das atuais 450 mil toneladas anuais para 1,8 milhão de toneladas de celulose fossem de 2,8 bilhões de dólares.

"Os planos de investimentos foram feitos ainda pela Aracruz, com outra realidade macroeconômica... Estamos fazendo as verificações, revendo o projeto, e devemos ter uma definição em 2011", disse nesta sexta-feira o presidente da Celulose Riograndense, Walter Lídio Nunes, à Reuters.

Em abril, o executivo já havia sinalizado a possibilidade de revisar o valor do investimento, mas nenhuma projeção havia sido divulgada.

Se o cenário de demanda aquecida pelo insumo persistir, a companhia deverá antecipar o início da nova linha de produção de celulose no Sul do Brasil para antes da data prevista.

"A estimativa da Aracruz era de que o início das operações (da nova linha de produção) ocorresse em janeiro de 2015. Em função do que deverá ser revisto a data pode ser alterada... e com o cenário de hoje deverá ser para antes", afirmou Nunes.

A Aracruz foi comprada pela Votorantim Celulose e Papel (VCP) em 2009, dando origem à Fibria, maior produtora global de celulose do mundo.

A unidade de Guaíba foi vendida para a CMPC em dezembro do ano passado por cerca de 1,4 bilhão de dólares, em meio aos esforços da Fibria para reduzir seu endividamento.

Após a revisão do projeto, as novas projeções precisam ser aprovadas pela CMPC. Além do aumento da fábrica, o orçamento incluirá o aumento da base florestal e a implantação de um novo sistema logístico.

Uma cláusula do contrato firmado entre Fibria e CPMC determina que a Fibria receba o pagamento de uma multa em caso de antecipação do aumento da produção no Rio Grande do Sul.

"O valor não é significativo para dizer que não anteciparemos o negócio... A multa não é um impeditivo, é o mercado que importa", destacou Nunes.

PREÇOS

Os preços da celulose deram um salto em 2010, com reajustes mensais consecutivos desde o início do ano por grandes produtoras.

O presidente da Celulose Riograndense lembrou que parte dos aumentos de preços ocorreu devido ao terremoto no Chile no final de fevereiro --que inclusive paralisou fábricas da CMPC no país.

"A bolha que se formou por conta do terremoto deve continuar em 2010, mas em 2011 haverá um ajuste", afirmou Nunes.

O ajuste, segundo o executivo, não significa necessariamente um movimento de redução de preços, mas talvez apenas de estabilização. "Os estoques de celulose atualmente estão baixos", disse.

De acordo com Nunes, a compra da unidade da Fibria pela CMPC acabou se provando oportuna, porque o terremoto não afetou a produção da fábrica no Brasil e mostrou ao grupo chileno "a importância da diversidade geográfica de produção". `

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