Enviado de Obama negocia retaliação comercial

Representante comercial americano chega na semana que vem para falar com autoridades brasileiras sobre sanções autorizadas pela OMC

Jamil Chade e Patrícia Campos Mello, O Estadao de S.Paulo

09 de setembro de 2009 | 00h00

Diante de uma tensão crescente nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, o presidente americano Barack Obama envia na próxima semana seu representante comercial, Ron Kirk, para sua primeira visita ao Brasil. Na agenda, a retaliação do Brasil contra os EUA por causa dos subsídios ilegais ao algodão e a profunda crise que vive a Organização Mundial do Comércio (OMC).

Apesar da esperança que Obama fez nascer de que daria um impulso ao multilateralismo depois de oito anos do governo de George W. Bush, a agenda comercial do novo presidente decepcionou o Brasil e os demais países emergentes.

O encontro entre Kirk e o governo brasileiro está marcado para o dia 17 de setembro. O Brasil pedirá a Kirk que reveja sua posição nas negociações e que dê sinais claros de que os EUA estão dispostos a fazer esforços para um sistema comercial mais equilibrado. O USTR (Escritório de Representação Comercial da Casa Branca) confirmou ontem a viagem de Kirk ao Brasil, mas evitou dar detalhes de seu programa.

O chanceler Celso Amorim já demonstrou irritação com a posição americana nas negociações internacionais. Nove meses depois da posse, Obama ainda não revelou qual será sua política comercial.

No último fim de semana, o Brasil pode constatar que de fato não há sinal de flexibilidade por parte dos americanos na Rodada Doha da OMC. Em um encontro na Índia, Kirk rejeitou fazer todo o tipo de concessões para reduzir subsídios e continuou pressionando os países emergentes a abrir seus mercados para bens industriais americanos. Diante da posição dos EUA, o processo não apenas está paralisado como corre o risco de ser rebaixado na agenda de prioridades dos governos. A ideia de uma conclusão da Rodada em 2010 está cada vez mais abandonada.

Kirk chegou tarde ao encontro na Índia e saiu mais cedo. Sequer conseguiu encontrar um momento para se reunir com Amorim.

Mas as disputas também farão parte da agenda. Há duas semanas, o Brasil ganhou o direito de retaliar os Estados Unidos por uma decisão da OMC. A entidade julgou que os americanos não retiraram os subsídios ilegais ao algodão na disputa que já dura sete anos entre os dois países.

O Brasil agora elabora uma lista de produtos e setores que serão alvos da retaliação.

Mas o algodão não é a única disputa na agenda. O Brasil questiona as barreiras americanas ao suco de laranja, argumentando que as medidas são ilegais. A isso ainda se soma o questionamento que o Itamaraty iniciou ao lado do Canadá contra todos os subsídios agrícolas americanos, entre eles, os programas que são direcionados para apoiar a indústria do etanol.

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