E.ON procura novo sócio para MPX

Fundo de private equity H.I.G mapeou mil empresas no País

O Estado de S.Paulo

22 de julho de 2013 | 02h05

Os alemães da E.ON, multinacional que é sócia de Eike Batista em seu negócio mais valioso - a empresa de energia MPX -, contrataram o banco Goldman Sachs e já estão em busca de um comprador para a fatia que hoje pertence ao empresário brasileiro. Segundo fontes próximas à companhia, há uma série de interessados na MPX que, embora tenha uma dívida de cerca de R$ 3 bilhões com bancos, é considerada hoje a melhor empresa do grupo EBX. Ela vale R$ 4,9 bilhões na bolsa brasileira, enquanto a petroleira OGX tem valor de mercado de R$ 1,6 bilhão. Uma das empresas que tentou comprar a MPX foi a gigante francesa GDF Suez, controladora da Tractebel Energia. A proposta dela, no entanto, teria sido vetada pelos alemães da E.ON, por se tratar de uma concorrente de peso principalmente em outros mercados. Procurada, a GDF Suez disse que não comenta especulações.

A MPX é uma peça chave na reestruturação do grupo X e, por isso, deve ser a primeira a passar por mudanças. A principal delas é a saída de Eike Batista do controle da empresa. No início do mês, ele já deixou a presidência do conselho de administração. A empresa também anunciou que vai mudar de nome - uma medida adotada pelos alemães para desvincular a companhia de seu fundador, que mergulhou nos últimos meses numa severa crise de credibilidade.

Antes de concretizar a venda da participação de Eike, a empresa passará por um aumento de capital de R$ 800 milhões, do qual devem participar a E.ON, o BNDES e, possivelmente, o próprio Eike.

À frente do escritório brasileiro do fundo de private equity americano H.I.G. Capital desde o início de 2012, Fernando Marques, de 38 anos, anunciou na semana passada o segundo investimento da empresa no País. Em 2012, o H.I.G comprou a rede de escolas de idiomas Cel-Lep e, agora, entrou no segmento de sorvetes, com a aquisição da Creme Mel, de Goiás. Responsável por iniciar a operação de outro grande fundo de private equity no Brasil em 2008 - o General Atlantic -, Marques deixou de olhar companhias de grande porte para se concentrar em empresas médias. Ele e sua equipe já mapearam pelo menos mil alvos no território brasileiro.

Como vocês descobriram a Creme Mel?

Para investir em empresas brasileiras de porte médio, com Ebtida entre R$ 10 milhões e R$ 50 milhões, que é o nosso foco, é preciso estar nos bolsões do País, como o Centro-Oeste e algumas cidades do Sul e do Nordeste. Além disso, estamos olhando especialmente as categorias de consumo, entre elas a de sorvete, que tem crescido 15% ao ano. Estar atento a esses dois pontos nos levou naturalmente à Creme Mel, que é uma das empresas mais organizadas do setor.

Qual é a estrutura do H.I.G. no Brasil e quanto o fundo reservou para investir aqui?

Em março do ano passado, quando iniciamos a operação, éramos três pessoas. Hoje, somos dez. O volume que temos para investir não podemos divulgar, mas posso garantir que capital não é um problema. Pegamos uma parte dos fundos globais da H.I.G, que tem US$ 13 bilhões sob gestão, para dedicar ao Brasil.

Quais setores são prioritários?

Consumo é um setor importante mas não há qualquer restrição. Olhamos tudo.

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