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EPE defende investimento no pré-sal como política anticíclica

Tolmasquim quer também maior participação nacional no desenvolvimento de equipamentos para exploração

Kelly Lima, da Agência Estado,

18 de novembro de 2008 | 16h46

O desenvolvimento das reservas do pré-sal pode ser utilizado como uma "política estrutural anticíclica", visando evitar que o Brasil sinta com maior profundidade os efeitos da crise econômica mundial. A afirmação foi feita nesta terça-feira, 18, pelo presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim. Ele defendeu que haja uma maior participação do conteúdo nacional no desenvolvimento dos equipamentos que serão necessários para explorar as reservas de petróleo e gás natural no pré-sal. Veja também:Petrobras diz que deve postergar projetos por causa da criseDe olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29Como o mundo reage à crise  Dicionário da crise  O caminho até o pré-sal "Desta maneira teríamos, não somente os efeitos benéficos da exploração destas reservas no médio e longo prazo, colocando o País entre os grandes produtores de petróleo mundiais, como traríamos benefícios para o curto prazo, minimizando o impacto da desaceleração econômica proveniente dessa crise mundial", comentou Tolmasquim, em entrevista após participar do XII Congresso Brasileiro de Energia (CBE), no Rio. "Seria uma maior inserção da indústria local, geração de emprego e renda. Uma forma de sairmos desta crise muito mais fortes", completou. Tolmasquim, que integra a Comissão Interministerial que está discutindo o marco regulatório do petróleo, desconversou sobre a possibilidade de as propostas conclusivas sobre o tema estarem praticamente prontas para serem apresentadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como vem afirmando o ministro de Minas e Energia, Edison lobão. Segundo ele, é preciso "calma" para discutir o tema e todos os aspectos que ele envolve. Em sua opinião, é possível que as propostas sejam encaminhadas ainda este ano. "Seria o ideal", disse, lembrando novamente os efeitos positivos que o desenvolvimento destas reservas poderia trazer ao País. Para Tolmasquim, os efeitos da desaceleração econômica mundial não devem surtir forte impacto ao setor energético no Brasil. "Ao contrário do varejo, o setor de energia depende muito mais de financiamentos do BNDES e não do sistema bancário em geral. E este aspecto está garantido", comentou, lembrando a sinalização dada ontem pelo BNDES de aumento do crédito e linha especial para os participantes do leilão de linhas de transmissão do Complexo do Madeira. "E esta sinalização foi dada quando todos os participantes já estavam inscritos. Ou seja, não foi para atrair investidores", comentou. Com relação à demanda, o presidente da EPE disse que foi feita uma revisão na projeção para 2009, de um crescimento de 5,2% para 4,8%, com base em uma revisão do crescimento do PIB, de 5% para 4% no próximo ano. Para o ano de 2010, no entanto, a EPE decidiu manter a projeção de demanda com crescimento de 5%, que é a média dos anos posteriores. "Não vemos como fazer projeções para um período superior a 2009, diante do atual cenário mundial". Segundo ele, a redução de apenas 0,4 pontos porcentuais na projeções para a demanda em 2009 considera a inelasticidade do consumo residencial e comercial, que devem continuar crescendo independente do arrefecimento do PIB. "Já na cadeia industrial, que responde por 50% do consumo nacional, aí sim, esperamos ter os efeitos da desaceleração econômica", comentou.

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