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EPE: indústrias passam por 'revolução' energética

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, classificou como uma "revolução" o que está ocorrendo na área energética nas indústrias. Segundo ele, antes os grandes projetos industriais eram implantados prevendo a utilização de energia elétrica "da rede", ou seja, fornecida pelas geradoras e distribuidoras tradicionais. "Agora os grandes projetos industriais estão contemplando um forte aumento na autoprodução. Toda a expansão do setor siderúrgico, por exemplo, está ocorrendo sem aumento na demanda ao sistema elétrico nacional. Algumas siderúrgicas estão até produzindo em excesso, vendendo energia elétrica para a rede", destacou Tolmasquim.Ele citou o exemplo do empreendimento da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), do grupo Thysssen/Vale, que está sendo construído no Rio de Janeiro.A EPE fez uma pesquisa junto às empresas com projetos de expansão para os próximos anos e constatou que o mercado de autoprodução vai triplicar de tamanho nos próximos dez anos. A EPE estima que o segmento de autoprodução consuma o equivalente a 35 terawatts por hora (TWh) este ano e o montante subirá para 93 TWh em 2017 - cada TWh equivale a mil gigawatts por hora. Com isso, o segmento de autoprodução ampliará a fatia no mercado dos atuais 8% do consumo total de energia elétrica (16% do consumo industrial) para 13% em 2017 (27% do consumo industrial).Além do setor siderúrgico, a pesquisa da EPE incluiu os setores de papel e celulose, petroquímica e sucroalcooleiro. "O bagaço de cana, que era pouco aproveitado, agora está gerando energia nas próprias usinas e até para a venda", disse.Tolmasquim vê nesse movimento mais um motivo para reforçar a suas declarações de que o País não terá problemas de oferta de energia elétrica nos próximos anos. "Isso é inédito. Só agora essa tendência está aparecendo de forma mais clara. Fizemos uma pesquisa e constatamos que todas as grandes indústrias estão investindo firme para aumentar a produção de energia no seu próprio local", explicou.Tolmasquim disse que esses dados serão detalhados no próximo planejamento decenal do setor, elaborado pela EPE. "Temos os dados de cada projeto em andamento", garantiu.Outro ponto positivo desse movimento, na avaliação de Tolmasquim, é que essa energia é produzida de forma mais eficiente e com menos impactos ambientais. "O carvão, que era utilizado pelas siderúrgicas apenas para a redução do minério de ferro na produção de aço, agora serve também para gerar energia, no processo de co-geração", ilustrou. Com isso, há menos poluição e menos necessidade de uso da rede elétrica tradicional, já que a energia é produzida no próprio sítio industrial, complementou.

ALAOR BARBOSA, Agencia Estado

23 de novembro de 2007 | 14h23

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