Fabrizio Bensch/Reuters
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EPE projeta perda de R$ 54 bi para União e Estados com combustíveis até 2022

Em caso de retomada da economia ainda em 2020, arrecadação ficaria positiva em R$ 2 bi; diesel deve ser o menos afetado pelo coronavírus

Denise Luna, O Estado de S. Paulo

05 de junho de 2020 | 09h00

RIO - Estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) mostra que o impacto na arrecadação sobre o setor de combustíveis por estados e pela União pode chegar a uma perda de R$ 54 bilhões no acumulado 2020-2022, se os desdobramentos da pandemia do novo coronavírus forem ainda mais intensos e se prolongarem. Se a retomada da economia ocorrer em 2020, a arrecadação já passaria a ser positiva em R$ 2 bilhões no setor em 2022.

 Na estimativa de retomada mais longa, os estados sofreriam mais do que a União com a demora maior na volta das atividades econômicas e do fim do isolamento social, com perda de R$ 36 bilhões no acumulado até 2022, enquanto a União teria queda de R$ 18 bilhões. O estudo leva em conta as arrecadações com diesel B (com biodiesel), gasolina C (com etanol), etanol e Gás Liquefeito de Petróleo (GLP).

A maior perda projetada entre os combustíveis é da gasolina C, que poderá chegar a R$ 39 bilhões no acumulado no período. A EPE ressalta que as perdas com o querosene de aviação (QAV), apesar da maior queda em relação ao consumo, não foram levadas em conta “em função da dinâmica diferenciada deste mercado e dificuldade da obtenção de informações”.

Segundo o estudo, a venda de gasolina C só deverá voltar aos níveis de antes da pandemia em 2022. Para este ano, a projeção é de que as vendas do combustível fiquem entre 31,6 e 35,1 bilhões de litros, contra a venda de 38,4 bilhões de litros em 2019. Já em 2022, as vendas devem atingir entre 32,1 e 36,9 bilhões de litros no pior cenário.

O etanol também será afetado pela retração do consumo, com vendas previstas em 2020 entre 19,4 bilhões de litros - com a retomada das atividades já este ano -, e 21,4 bilhões de litros no pior cenário, ante vendas de 23,2 bilhões de litros em 2019. Já as vendas de QAV podem cair entre 34% e 60% em 2020, entre 2,8 e 4,6 bilhões de litros, ante 7 bilhões de litros em 2019, atingindo, no melhor cenário, vendas de 7,2 bilhões de litros em 2022 e, no pior, 5,5 bilhões de litros. Em 2021 as vendas continuariam mornas, entre 4,3 e 6,6 bilhões de litros.

O diesel será o combustível menos afetado pela covid-19, impulsionado pela continuidade do transporte por caminhões no País, com queda de vendas prevista para este ano entre 2% e 8%, respectivamente, nos dois cenários extremos (melhor e pior), com volume estimado entre 52,9 bilhões e 55,9 bilhões de litros este ano, contra 57,3 bilhões em 2019. O patamar de vendas do diesel seria recuperado já em 2021, e no melhor cenário poderia atingir 58,7 bilhões de litros em 2022. Já se houver uma retomada mais longa da economia, em 2022 as vendas de diesel seriam de 56,3 bilhões de litros, estima a EPE.

Novo perfil

Diante do novo cenário, a EPE prevê que as refinarias devem mudar de perfil para aumentar a produção de diesel. Mesmo assim, a estimativa é de que o Brasil continue deficitário nesse combustível e se mantenha importador pelo menos no horizonte do estudo (2022). A utilização do parque de refino afetado pela pandemia deverá fechar 2020 em torno dos 62% a 72%, voltando aos níveis de antes da doença entre 2021 e 2022, para em torno de 70% a 80%.

Além do etanol, o biodiesel também está sendo afetado pela crise sanitária, com previsão de queda de vendas de 6% este ano. A EPE observou ainda que, por conta da pandemia, o governo vai revisar metas do programa Renovabio para a aquisição dos Cbios (Certificados de Biocombustíveis), conforme já foi anunciado pelo Ministério de Minas e Energia (MME).

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