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Consumo menor ajuda no combate à inflação, aponta Zeina Latif

Apesar de perspectiva ruim para a economia, economista-chefe da XP Investimentos avalia que queda maior na demanda pode fazer com que o BC aperte menos nos juros; confira análises

Maria Regina Silva, O Estado de S. Paulo

29 Maio 2015 | 14h18

Os fatores que levaram à queda de 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB) no 1º trimestre de 2015 revelam tendências diferentes entre a oferta e a demanda no País. A economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, ressalta que o fato de a queda da demanda ser maior que a retração da oferta é muito importante. O consumo das famílias caiu 1,5% no primeiro trimestre, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o consumo do governo recuou 1,3% enquanto, enquanto o PIB da Indústria, por exemplo, caiu 0,3% na margem. "Isso é essencial para a inflação recuar e o BC não ter que aumentar muito a taxa de juros", disse Zeina. A especialista ressalta que os resultados da economia, ainda negativos, não são para se comemorar, mas, defende que o equilíbrio entre demanda e oferta é positivo para a política monetária.

O economista Bernard Goni, da Bozano Investimentos, tem visão similar e após os resultados divulgados nesta sexta-feira, 29, manteve sua expectativa de alta de 0,50 ponto porcentual na taxa Selic na reunião do Copom, na semana que vem, para 13,75% ao ano. "O discurso do BC continua duro e acredito que ele não vai sossegar enquanto não vir a inflação convergir para o centro da meta de 4,5%. Ele tirou a atividade do seu foco, que continua sendo a inflação".

Em relatório, a consultoria britânica Capital Economics também aposta em mais uma alta de 0,50 ponto porcentual e argumente que "com as notícias sobre a economia real não tão ruins quanto o esperado, os formuladores de políticas devem provavelmente manter o foco no combate à inflação".

Embora a queda de 0,2% no PIB do 1º trimestre na margem tenha sido menor do que esperado pelo mercado, o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, avalia que a dinâmica indica um cenário ainda bastante ruim para a economia brasileira. Do lado da oferta, Rostagno destacou como ponto negativo o recuo do setor de serviços maior do que o da indústria. No 1º trimestre, o PIB de serviços caiu 0,7% na margem, enquanto o da indústria recuou 0,3%. "O setor de serviços era o que estava se mostrando resiliente, mas, com a crise se aprofundando, começa a dar sinais de fadiga. O cenário é de fraqueza disseminada", afirmou. 

Ao mesmo tempo, o economista-chefe da SulAmerica Investimentos, Newton Camargo Rosa, ressalta que a formação bruta de capital fixo (FBCF), que caiu 7,8% no primeiro trimestre, na margem, deve continuar recuando, refletindo a queda na confiança de empresas e famílias e também a contenção nos gastos do governo. Ele destaca que retração é preocupante pois afeta o potencial de crescimento à frente. "Tudo isso somado, não permite apostar em um cenário melhor para a atividade", afirmou.

Ajuste. O economista e professor do curso de MBA da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Marcelo Allain, disse que esperava um recuo mais intenso nos gastos do governo exatamente devido ao ajuste fiscal. Ele ressalta, no entanto, que o menor ímpeto de consumo dos brasileiros contribuiu para o atual momento da economia. "Do ponto de vista do consumidor é ruim, mas quando se olha pela perspectiva do ajuste macroeconômico, é positivo. Mas o ideal seria que o consumo do governo viesse na frente", disse.

Ainda sob a ótica da demanda, Rostagno reforça que o consumo das famílias indica que o modelo de crescimento pautado no consumo "se exauriu" e que a queda no consumo do governo reflete a necessidade de ajustes das contas públicas. 

(Com Álvaro Campos, Ricardo Leopoldo, Igor Gadelha, Francisco Carlos de Assis)

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