'Equiparação salarial não me beneficiou', diz soldador

Mas outros operários, como Alessandro Costa, se dizem satisfeitos com salário

IPOJUCA (PE), O Estado de S.Paulo

26 de dezembro de 2012 | 02h03

Luís Ferreira da Silva Moraes, 37 anos, soldador, nasceu em Passira, no agreste pernambucano, e aos oito se mudou para São Paulo, acompanhando os pais. Mora em São José dos Campos. Empregado da Odebrecht, veio trabalhar na refinaria com salário menor, de R$ 2,6 mil. A empresa que paga melhor pela função na obra chega a R$ 2,9 mil. Se estivesse em São Paulo, o salário seria R$ 3,2 mil. Na equiparação salarial, o piso passou de R$ 1,8 mil para R$ 2 mil. "Meu salário já era referência, a equiparação não me beneficiou."

Ele chegou há um ano. Reconhece melhoras, a exemplo da qualidade de vida, em Pernambuco. "Mas ninguém fala no aumento do custo de vida, que é grande: aluguel, comida." Luís vê dificuldade de mão de obra qualificada local e reclama da intimidação sofrida pelos trabalhadores nas manifestações.

Alessandro Jorge da Costa, operador de guindaste, é cearense de Sobral. Ganha R$ 4 mil e está satisfeito. Chegou em janeiro de 2010 e mora em um alojamento da empresa - a Alusa - na praia de Gaibu, no município vizinho do Cabo de Santo Agostinho, e de dois em dois meses viaja a São Paulo para ver a mulher e os filhos. Aproveita o tempo livre para estudar informática.

No estacionamento das obras da refinaria, as placas dos veículos revelam a origem dos trabalhadores: São Luís (MA), Aracaju (SE), Caraguatatuba (SP), Uberaba (MG), Belford Roxo (RJ), Telêmaco Borba (PR), Cariacica (ES), Cacimbas (PB) e Alagoinhas (BA), entre outros.

O carioca Welington Gomes, 34 anos, é encarregado administrativo. Seu salário é defasado em relação a outras empresas. Ganha R$ 2,7 mil, ante R$ 3,5 mil de outros consórcios. Não foi beneficiado pela equiparação salarial. "É razoável, mas poderia ser bem melhor", assegura.

Já o pernambucano Otávio Joaquim de Santana, 42 anos, motorista operador de muque, veio do Rio, onde mora há 15 anos, em outubro de 2010. Ganhava R$ 1,2 mil e hoje tem salário de R$ 1,9 mil. "Até 2015, quando deve ser concluída a obra, estou assegurado", comemora.

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