Felipe Rau
Felipe Rau

Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Equipe brasileira vence olimpíada de profissões

Competição mundial WorldSkills, realizada no mês passado em São Paulo, destacou o avanço da educação profissional no País

Anna Carolina Papp, O Estado de S. Paulo

04 de setembro de 2015 | 03h00

O ensino profissionalizante vem ganhando fôlego no Brasil. O número de matrículas em cursos técnicos de nível médio cresceu 88% nos últimos seis anos. O desafio ainda é grande, mas, para destacar a importância da educação profissional, o País sediou, no mês passado, a maior olimpíada de profissões do mundo, a WorldSkills. Como anfitrião, o Brasil não fez feio: ficou em primeiro lugar no quadro geral de medalhas. 

Participaram do evento mais de mil jovens de 62 países, que disputaram provas em ocupações técnicas da indústria e do setor de serviços.

Competidores de 16 a 22 anos tinham de fazer tarefas meticulosas da profissão em que se especializaram, dentro dos prazos e padrões internacionais de qualidade. 

Ao passear pelos labirintos do espaço - no Anhembi, em São Paulo -, era possível ver jovens muito concentrados desenvolvendo sistemas automatizados, levantando paredes, soldando peças, assando pães, fazendo penteados. 

O destaque individual da equipe brasileira foi o jovem Luis Carlos Sanches Machado Júnior , especialista em tecnologia automotiva. O estudante do Senai foi o primeiro brasileiro a conquistar a maior pontuação geral da WorldSkills.

Participantes do evento relataram a importância do ensino técnico para lapidar seus interesses e encontrar seu segmento de atuação. “Na minha família tem bastante mecânico, mas na área automotiva. Eu descobri a minha área mais tarde, com o curso do Senai”, disse Eduardo Kruczkievicz, que competiu na ocupação de tornearia. O catarinense de 19 anos, que fez um curso técnico em eletromecânica no Senai, teve de produzir peças e componentes metálicos utilizando um software, em quatro horas.

Já o sueco Victor Stahlkrantz, de 22 anos, fez uma escola técnica por três anos, logo após sair do ensino médio. Ele afirmou que, na Suécia, o interesse dos jovens por ensino técnico também tem crescido. “Quem procura um ensino mais prático vai para essa formação, que te ajuda a ter uma colocação melhor no mercado de trabalho”, disse. Stahlkrantz disputou na área automotiva, pela qual se interessa desde criança. “Ainda menino eu já mexia com carros. É um trabalho divertido, pois nunca é o mesmo.”

Para Rafael Lucchesi, diretor-geral do Senai, o ensino técnico, além de ser mais inclusivo, pode ajudar na retomada de crescimento do País. “A educação profissional dá mais oportunidade e também aumenta a produtividade do trabalho.”

Brasil e Reino Unido farão intercâmbio de ensino técnico

O Reino Unido quer trocar experiências com o governo brasileiro na área da educação profissionalizante. Em outubro, reitores e diretores de escolas técnicas britânicas virão ao País conhecer instituições brasileiras, como o Senai e o Senac. Em novembro, será a vez de diretores de nove escolas técnicas brasileiras cruzarem o oceano para conhecer os “colleges” britânicos. No Reino Unido, cerca de 32% dos estudantes do ensino secundário também cursam escola técnica. No Brasil, essa fatia é inferior a 10%“Esses gestores poderão ver a rotina, o dia a dia e a metodologia do ensino profissional no Reino Unido, e trocar experiências num intercâmbio para valorizar o ensino profissionalizante”, diz Tatiana Coutinho, diretora do projeto. 


Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.