Equipe econômica abandona metas

Objetivos de crescimento, exportação, arrecadação, inflação e até mesmo prazos para concessões têm sido frequentemente descumpridos

ADRIANA FERNANDES, RENATA VERÍSSIMO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2013 | 02h08

Escaldada pelo fiasco nas previsões econômicas do ano passado, a equipe econômica do governo da presidente Dilma Rousseff abandonou ou afrouxou todas as metas e prazos este ano. A imprevisibilidade tem deixado investidores no escuro e ampliado até incertezas sobre o desempenho da economia no curto prazo. O 'Estado' identificou problemas em metas de crescimento, esforço fiscal, exportações, arrecadação de impostos, nos prazos de concessões e até de inflação.

A maior insegurança recai sobre o superávit primário. O compromisso ganhou tanta elasticidade que contaminou de forma perigosa a confiança no País. Sinal disso foi a decisão da agência de classificação de risco Standard and Poor's (S&P) de pôr em perspectiva negativa o rating do Brasil, algo que não acontecia desde 2003, quando o PT chegou ao poder. Esse movimento, avalia a equipe econômica nos bastidores, deverá ser seguido por outras agências.

As metas atuais são consideradas elásticas demais para dar algum sinal a investidores. Além de serem sustentadas em bases frágeis. É o caso da previsão de crescimento real da arrecadação de impostos, fixada entre 3,0% e 3,5% para 2013, mas ancorada em um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,5%.

Baixa arrecadação. Essa projeção de crescimento da economia foi afastada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, apontado como o mais otimista entre todos os otimistas do governo Dilma Rousseff. No cenário atual, não se espera um crescimento da arrecadação muito maior do que 1,0% acima da inflação.

Depois de fixar, em dezembro, uma meta de 4,5% para o PIB, Mantega não fala mais em compromisso com uma taxa de crescimento. Há duas semanas, ele não só admitiu, quando provocado, que a estimativa de 3,5% não se confirmaria, como prometeu revisá-la para baixo no futuro. Mas dessa vez disse que não se trata mais de meta. A previsão baliza as contas públicas na lei orçamentária.

"A combinação de pouco crescimento e expansionismo fiscal é muito complicada. Primeiro, o fiscal detonou o crescimento. Agora, o crescimento detona o fiscal. Botaram o fiscal para arrancar a economia. Não funcionou e ficaram sem o crescimento e sem o fiscal. Aí, ficaram criativos", afirmou Fernando Montero, economista-chefe da Tullett Prebon Corretora.

Evitar críticas. Divulgada todos os anos pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) desde o início do governo Lula, a meta de exportações foi abandonada. O ministro Fernando Pimentel decidiu isso para evitar críticas pelo seu eventual não cumprimento. O número já teve tanta importância, que em 2004, um contêiner foi colocado na Esplanada para comemorar o recorde de US$ 100 bilhões em exportações. No ano passado, o objetivo de US$ 264 bilhões foi largado no meio do caminho. Hoje, o máximo de comprometimento é atingir o mesmo patamar dos últimos dois anos.

O Banco Central estima um superávit de US$ 15 bilhões para a balança comercial. Mas especialistas vêm diminuindo as previsões por conta da crise. Já se fala em superávit entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões.

No caso da inflação, o governo não abandonou a meta, mas é crescente a desconfiança de que o Banco Central não trabalha com autonomia para trazer o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para os 4,5%, no curto prazo, porque exigiria um aumento muito mais forte nos juros.

Os prazos e cronogramas dos editais de licitação do programa de concessões, anunciados para abril e adiados para setembro, não serão cumpridos. Já se admite nos bastidores que leilões só ocorram em 2014.

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