Equipe econômica tenta na Europa manter as linhas para exportação

O ministro da Fazenda, Pedro Malan, desembarcou neste domingo, em Madri, mais uma série de encontros com banqueiros e autoridades financeiras européias para tentar garantir a manutenção das linhas de crédito para o País. A equipe econômica se dividiu em três grupos, que passarão a semana em alguns pontos do mundo, tentando convencer os investidores de que a economia brasileira continua nos trilhos, e que a aversão generalizada à risco no mundo hoje ? que atinge diretamente a disposição de conceder crédito ao Brasil ? é exagerada.Além de Malan, estarão na Europa o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, e o secretário do Tesouro Nacional, Eduardo Guardia. O secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, embaixador Marcos Caramuru, vai ao Japão. Depois de Madri, Malan irá para Londres e Paris. Fraga e Guardia estão na Suíça desde sábado, participando da reunião do Banco de Compensações Internacionais (BIS), e seguem esta semana para Frankfurt e Amsterdã.As conversas com banqueiros e investidores terão como ponto central o acordo firmado entre o Brasil e o FMI, que colocará à disposição do País US$ 30,4 bilhões ao longo dos próximos 15 meses, assegurando assim, em boa parte, as necessidades de financiamento externo do primeiro ano de mandato do novo presidente. O acordo foi formalmente aprovado pela diretoria do Fundo na última sexta-feira, o que já garante o direito de saque de cerca de US$ 3 bilhões ao País.As reuniões seguirão o formato utilizado por Fraga e Malan num encontro realizado há duas semanas com banqueiros em Nova York. Os representantes do governo brasileiro buscarão fazer uma apresentação detalhada da situação econômica, mostrando que os fundamentos continuam sólidos e que a dívida pública ? uma das maiores preocupações dos credores ? é plenamente administrável. Malan e os demais membros da equipe econômica levarão para as reuniões um trunfo importante: o apoio formal dado pelos quatro principais candidatos às eleições presidenciais ao acordo com o FMI. Essa sinalização, obtida pelo presidente Fernando Henrique Cardoso no mês passado, será utilizada para tentar convencer os investidores de que a transição política será tranquila, não justificando, portanto, possíveis reduções nas operações de concessão de crédito ao País.?A idéia é mostrar que as perspectivas são positivas e que, apesar das incertezas em relação à transição política, qualquer que seja o resultado das eleições os fundamentos econômicos não serão alterados?, disse uma fonte da equipe consultada pelo Estado.A melhora das contas externas brasileiras também será um dos argumentos a serem utilizados pelos membros da equipe econômica para convencer os banqueiros de que não há riscos de investir ou financiar o Brasil. O balanço de pagamentos sofreu um profundo ajuste nos últimos anos, em especial a partir de junho deste ano, por causa da forte alta do dólar.Com a desvalorização do real, o ajuste que vinha sendo feito de forma gradativa acabou sendo acelerado, o que já permite a alguns analistas apostarem que as contas externas brasileiras devem ter fechado agosto com saldo positivo. ?O ajustamento das contas externas está ocorrendo mais rápido do que o previsto, porque a balança comercial está reagindo mais rápido também?, disse uma fonte do governo.O chefe do Departamento Econômico (Depec) do BC, Altamir Lopes, estimou, no final do mês passado, que as transações correntes de agosto deveriam fechar com um saldo negativo de apenas US$ 150 milhões.

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