FABIO MOTTA / ESTADÃO
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Equipe econômica tenta virada para ressaltar 'agenda positiva'

Ordem no Ministério da Economia é destravar a agenda e fazer 'barulho' com as novas medidas

Adriana Fernandes e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

26 de março de 2019 | 11h48

Com a economia brasileira em ponto morto, a equipe econômica coordena uma ofensiva para agilizar outras medidas e fazer uma “virada” na direção de uma agenda positiva, além da reforma da Previdência. Depois da “arrumação” da casa nos 100 primeiros dias de governo com a unificação dos três ministérios, a ordem no Ministério da Economia é destravar a agenda e fazer “barulho” com as medidas.

A área econômica quer barrar o processo de queda da confiança no crescimento, que já pode ser observado nas sucessivas reduções das previsões do Produto Interno Bruto (PIB) pelos analistas. Um avanço mais brusco desse movimento pode afetar ainda mais as intenções de investimentos dos empresários e afundar o crescimento deste ano.

Ao mesmo tempo, o time do ministro da Economia, Paulo Guedes, quer reduzir a dependência da agenda econômica à reforma da Previdência, que está afetando o ânimo do mercado com a crise na articulação política.

Entre as medidas que devem ser ressaltadas estão a privatização da Eletrobrás, o acordo da cessão onerosa, destravamento do crédito, negociação com os Estados e medidas voltadas para o setor produtivo, sobretudo da construção civil.

A agenda de medidas de “descomplicação” tributária e da burocracia também deve ganhar mais relevância a partir de agora.

Até agora, Guedes tinha concordado com os conselhos de lideranças políticas da Câmara em deixar os anúncios de medidas para depois para não atrapalhar as negociações da reforma da Previdência. Mas diante da virada de humor dos investidores em relação ao crescimento da economia, o ministro foi aconselhado por sua equipe a mudar de ideia.

Nesta segunda-feira, 25, o governo prometeu a onze associações industriais que formam a Coalizão Indústria um “revogaço” de medidas burocráticas nos próximos dias e o lançamento de um pacote de competitividade para as empresas nas próximas duas semanas – incluindo ações para baratear o custo do gás, como antecipou Guedes em entrevista ao Estado.

“É preciso limpar o terreno para que o empreendedor se sinta seguro e confortável para tocar os seus negócios”, afirmou o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Valente Pimentel.  Os executivos também levaram ao governo o pedido para uma reforma tributária “com mais transparência e justiça” na cobrança de impostos, isentando completamente as exportações. A necessidade de uma maior disponibilidade de crédito de longo prazo também foi levada pelos empresários ao presidente Jair Bolsonaro.

Para o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Antônio Carlos Megale, o custo de capital de giro hoje é um dos maiores entraves enfrentados pela indústria. “Embora tenhamos hoje uma Selic (taxa básica de juros) controlada no nível mais baixo da história, ainda há um custo excessivo de crédito que tira competitividade dos produtos nacionais”, comentou.

O presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, alertou que as exportações brasileiras de produtos manufaturados estão estagnadas desde 2014 devido ao custo Brasil. “Acreditamos que a aprovação das reformas previdenciária, trabalhista e tributária possibilitará ao País retomar o crescimento nesses embarques”, afirmou.

O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, apontou que há hoje uma demanda reprimida muito grande no setor. “É preciso retornar a confiança na economia para que as empresas possam voltar a investir e tomar crédito. O mercado é enorme e dá para ajudar muito o País a crescer”, avaliou.

A Coalizão Indústria reúne 11 entidades industriais, que representam 39% do Produto Interno Bruto (PIB) do setor (R$ 485 bilhões) e 58% das exportações manufatureiras (R$ 151 bilhões), além de 30 milhões de empregos. As companhias desses segmentos pagam R$ 250 bilhões em impostos anualmente.

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