Equipe prepara Lula para PIB ruim

Presidente confia, porém, em uma recuperação da economia

Beatriz Abreu e Fabio Graner, O Estadao de S.Paulo

09 de junho de 2009 | 00h00

O Ministério da Fazenda considera que a queda da atividade econômica no primeiro trimestre, que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga hoje, é um dado defasado e superado porque a economia já dá sinais de recuperação e deve crescer 0,5% no segundo trimestre, em relação ao período anterior. Esse cenário mais favorável tem sido percebido desde o fim de março e deve ter continuidade no segundo semestre, na expectativa da equipe econômica. Veja a variação do PIB de outros países no 1º trimestreIsso foi o que o ministro Guido Mantega apresentou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para neutralizar a notícia de que o País entrou em recessão técnica, ou seja, por dois trimestres seguidos, houve queda do Produto Interno Bruto (PIB). Trata-se, portanto, na avaliação de Lula e sua equipe, de um resultado "olhado pelo retrovisor" que já não reflete a realidade do País. Essa avaliação positiva, no entanto, não ameniza as pressões nos bastidores para que o Banco Central (BC) seja mais ousado e corte a taxa Selic, o juro básico do País, além dos 0,75 ponto porcentual defendido majoritariamente pelo mercado. Ontem, em São Paulo, Mantega falou que não está satisfeito com uma taxa de juro real (descontada a inflação) de 5% e, no fim do dia, anunciou uma redução no preço do óleo diesel. Segundo um assessor, a escolha da data foi proposital para oferecer ao BC mais um indicativo de que não existe pressão inflacionária. A diretoria do BC se reúne hoje e amanhã para discutir um novo corte na Selic, atualmente de 10,25% ao ano. Embora a redução dos juros deva ter pouco efeito sobre a atividade este ano, os que defendem uma posição mais ousada do BC acreditam que seria a oportunidade de trabalhar positivamente as expectativas dos agentes econômicos. À medida que a diretoria do BC dá sinais de que não há risco sério à inflação, seria possível provocar otimismo em relação ao futuro do País, desencadeando um movimento de novas decisões de investimento e de consumo. "O PIB do primeiro trimestre será negativo. Isso todo mundo sabe. Pode haver um impacto político e psicológico, mas a percepção do governo é que há um ajuste na economia, que a inflação está sob controle", disse uma fonte palaciana. "Os preços estão baixando. Não há pressão de inflação. Ao contrário, as estimativas colocam a inflação dentro da meta deste ano", disse ainda um assessor. Lula, segundo essa fonte, está tranquilo porque sabe que o País vive um ambiente favorável com a economia ajustada e a inflação sob controle e acredita que a fase mais dramática já passou. "O País precisa se preparar para conviver com um novo patamar para as taxas de juros. O presidente Lula entende que existe um processo em que o Banco Central está promovendo uma queda consistente das taxas de juros", acrescentou. Essa certeza, no entanto, esbarra no entendimento de que a decisão do BC é técnica. "O Banco Central vai decidir tecnicamente. Se entender que deve cortar em um ponto fará isso. Se identificar motivos para um corte menor, fará o corte menor" , definiu um assessor. Mesmo assim, as apostas estão lançadas: "Poderíamos prever que o Copom cortaria entre 0,75 e 1,25 ponto".

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