Equipe prepara Lula para possibilidade de PIB ruim

Retração no primeiro trimestre pode ser forte; presidente confia, porém, em uma recuperação da economia

Beatriz Abreu e Fabio Graner, de O Estado de S. Paulo,

08 de junho de 2009 | 22h44

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi alertado pela equipe econômica para a possibilidade de retração mais forte da economia no primeiro trimestre. Lula confia na recuperação da atividade e sabe que, neste momento, o que está sendo avaliado é um resultado "olhado pelo retrovisor", defasado.

 

"O presidente está tranquilo em relação a esse resultado e à reunião do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) porque o que se vive é um processo consistente de queda de taxa de juros", disse uma fonte. A diretoria do Banco Central (BC) se reúne hoje e amanhã para discutir um novo corte na taxa Selic, atualmente de 10,25% ao ano.

 

A queda da atividade econômica no primeiro trimestre, que será anunciada hoje pelo IBGE, no entanto, reforça as pressões para que o BC seja mais ousado e faça um corte superior ao 0,75 ponto porcentual defendido majoritariamente pelo mercado financeiro. Embora a redução dos juros, agora, tenha pouco efeito na atividade este ano, os que defendem uma atitude mais ousada do BC acreditam que seria a oportunidade de trabalhar positivamente as expectativas dos agentes econômicos.

 

Na medida em que a diretoria do BC sinaliza que não identifica um risco sério à inflação nos próximos meses, seria possível gerar um otimismo em relação ao futuro, desencadeando um movimento de novas decisões de investimento e de consumo. Essa análise considera que ainda é lenta a recuperação da indústria e isso preocupa, apesar de os dados sobre volume de crédito e de consumo das pessoas físicas sejam favoráveis.

 

"O PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre será negativo, isso todo mundo sabe. Pode haver um impacto político e psicológico, mas a percepção do governo é que há um ajuste na economia, que a inflação está sob controle", disse uma fonte palaciana. Uma informação adicional que será considerada na reunião do Copom foi a decisão do governo de reduzir o preço do diesel. "Os preços estão baixando. Não há pressão de inflação. Ao contrário, as estimativas colocam a inflação dentro da meta deste ano", disse ainda um assessor econômico.

 

O presidente Lula, segundo essa fonte, está tranquilo porque sabe que o País vive, neste momento, um ambiente favorável com a economia ajustada e a inflação sob controle. "O País precisa se preparar para conviver com um novo patamar para as taxas de juros", acrescentou.

 

No entanto, todos no governo sabem que a decisão da diretoria do BC é técnica. "O Banco Central vai decidir tecnicamente. Se entender que deve cortar em um ponto, fará isso. Se identificar motivos para um corte menor, fará o corte menor" , reconheceu um assessor. Mesmo assim, as apostas estão lançadas. "Poderíamos prever que a decisão do BC poderia estar entre um corte entre 0,75% e 1,25%".

 

A tranquilidade e a confiança do presidente Lula de que a trajetória de queda das taxas de juros não será interrompida está ancorada na certeza de que a fase mais dramática para a economia já passou. "O País está saindo bem da crise; isso é importante. Em relação aos juros, a decisão é do Banco Central. Não se baixa os juros no tacape", disse ainda uma fonte do Planalto.

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