SERGIO CASTRO|ESTADÃO-8|4|2014
SERGIO CASTRO|ESTADÃO-8|4|2014

Era petista levou País a pesadelo, diz Arminio

Ex-presidente do BC fez duras críticas aos últimos 13 anos de governo para plateia de executivos e empresários em Nova York

Cláudia Trevisan e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2016 | 23h39

NOVA YORK - Os 13 anos de governo petista levaram o Brasil a um “pesadelo”, marcado pela “captura” do Estado por interesses partidários e empresariais e a crise social, política, econômica e moral, disse ontem Arminio Fraga, presidente do Banco Central durante o segundo mandato do ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso.

A uma plateia de grandes empresários reunidos em Nova York, Arminio criticou a relação próxima entre o setor privado e o Estado que levaram a escândalos como o Mensalão e a Lava Jato. “A real dimensão dessas operações recentes e sua conexão com um projeto de dominação política, fazem com que esses casos sejam únicos e sistêmicos”, declarou Arminio em discurso durante a entrega do prêmio Personalidade do Ano, da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos em Nova York.

O outro homenageado da noite foi o ex-secretário do Tesouro dos EUA Timothy Geithner. “Apesar do começo auspicioso do governo Lula, depois de alguns anos a economia estava sendo impulsionada por booms de crédito e preços de commodities. Não era sustentável, porque o investimento nunca aumentou de maneira significativa”, disse Arminio em seu discurso. Tanto ele quanto Geithner criticaram políticas populistas e a ênfase em ganhos imediatos em detrimento de ganhos econômicos sustentáveis de longo prazo.

Para o ex-presidente do BC, os primeiros sinais perturbadores da era petista apareceram quando reformas que buscavam sustentabilidade fiscal foram descartadas no governo Luiz Inácio Lula da Silva pela então ministra-chefe da Casa Civil Dilma Rousseff. “O populismo já estava mostrando sua face repugnante, assim como a política e a moral do que seria conhecido como lulopetismo."

Em mais uma crítica ao setor privado representado na plateia, Arminio disse que Dilma ganhou a reeleição apesar da desaceleração da economia, graças ao “massivo” financiamento de empresas. “De maneira não surpreendente, ela herdou de si própria uma economia incapaz de crescer e ameaçada pela insolvência”, declarou Arminio, que era o nome preferido do presidente em exercício, Michel Temer, para ocupar o Ministério da Fazenda.

Em seu discurso, Geithner mencionou os esforços de combate à corrupção no Brasil e, sem mencionar a candidatura de Donald Trump à presidência dos EUA, disse que seu país também enfrenta sua dose de drama político. “Isso faz o Brasil parecer menos louco.”

Na plateia, entre outros, o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, e o vice-presidente executivo do Itaú, Alfredo Setubal.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.