''Era um belo cliente, pena estar nessa situação''

Hoje em lados opostos, os bancos e o Grupo Arantes foram parceiros firmes até o começo da crise. Nos últimos dois anos, o grupo mergulhou num agressivo plano de crescimento e de diversificação. O crédito era fácil, as dívidas não preocupavam e as instituições financeiras competiam entre si para fazer negócios com as empresas da família Arantes, pecuaristas tradicionais da região de São José do Rio Preto, interior de São Paulo. Estima-se que nos últimos dois anos o grupo tenha investido cerca de R$ 400 milhões. Nesse período, comprou duas marcas tradicionais de embutidos, a Frigo Eder e a Frigo Hans. Adquiriu também a Frango Sertanejo, um dos grandes frigoríficos de aves do País. Além disso, comprou ou arrendou frigoríficos e abatedouros em vários cantos do Brasil. Em seu melhor momento, no ano passado, o Grupo Arantes chegou a um faturamento estimado em R$ 1,6 bilhão. Antes da crise, captou US$ 150 milhões no exterior. Empurrado pelos bancos, o Arantes desfilou num carrossel que parou de repente, com a crise atirando todo mundo para fora. "Era um belo cliente, pena ter ficado nessa situação", comenta o vice-presidente de um dos grandes credores do grupo. "Eu também não imaginava que eles iriam reagir de uma forma tão agressiva."

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