Murat Kula/AFP
Murat Kula/AFP

Erdogan adverte empresas para não retirar moeda estrangeira dos bancos turcos

Turquia vive incerteza monetária por conta da política econômica e aumento das tensões com os EUA

O Estado de S.Paulo

12 Agosto 2018 | 18h10

O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, alertou neste domingo sobre "medidas drásticas" caso as empresas retirem moeda estrangeira dos bancos em meio à atual crise monetária do país.

Durante discurso na cidade de Trebizonda, no nordeste da Turquia, Erdogan alertou os empresários a não "correrem para os bancos para retirar moeda estrangeira". Ele acrescentou que as empresas devem "saber que manter esta nação viva e em pé não é apenas o nosso trabalho, mas também o trabalho de industriais, de comerciantes".

A Turquia enfrenta turbulências devido a incertezas sobre a política econômica do país e ao aumento das tensões entre o país e governo americano. Na última sexta-feira, o dólar subiu 15,65% ante a lira turca, após o anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, de que irá dobrar tarifas sobre o aço e alumínio turcos e em meio a uma iminente crise cambial que gera preocupações em todo território europeu.

Durante o discurso deste domingo, Erdogan reiterou as alegações anteriores de que a crise era "uma operação contra nossa economia conduzida por meio de taxas de câmbio" e disse que a Turquia prevaleceria.

A Turquia é o quinto maior mercado da União Europeia, destino de quase 100 bilhões de euros (US$ 115,26 bilhões) em exportações de bens e serviços em 2017, incluindo máquinas e equipamentos de transporte, segundo a Comissão Europeia. De acordo com o Banco de Compensações Internacionais, os bancos espanhóis emprestaram US$ 80,9 bilhões, e os franceses, US$ 35,15 bilhões, para bancos sediados na Turquia no primeiro trimestre.

Otimismo diminui na Europa. O alerta chega em um momento em que a economia da Europa perdeu fôlego, e parece improvável que se recupere fortemente no restante de um ano que começou com grandes expectativas e, em seguida, registrou uma série de reveses. Com a economia da zona do euro enfrentando restrições de capacidade à medida que o ano de 2017 chegava ao fim, os formuladores de políticas esperavam que as empresas ampliassem investimentos no continente em 2018. Mas, à medida que a confiança diminuiu diante das tensões do comércio global e de outras incertezas - mais recentemente a exposição da Europa a uma crise na Turquia -, a zona do euro corre o risco de ficar presa em um ritmo de baixo crescimento.

"O ciclo de crescimento do euro está em uma fase em que ele precisa de mais (investimentos em formação de capital)", disse Shweta Singh, diretora administrativa da consultoria de economia TS Lombard. "É por isso que o impacto das guerras comerciais no sentimento é tão preocupante".

Em janeiro, os fabricantes europeus estavam operando a 84,5% da capacidade, um nível superado em apenas alguns trimestres desde que a pesquisa começou a ser feita, em 1985. Os formuladores de políticas esperavam que isso significasse expansão. Agora, no oitavo mês de 2018, o otimismo parece menos justificado. A zona do euro registrou dois trimestres consecutivos de desaceleração do crescimento e o número de pessoas sem emprego aumentou ligeiramente em junho. As exportações caíram, e os preços mais altos da energia estão compensando uma modesta recuperação dos salários, deixando as famílias com pouco dinheiro para gastar em bens e serviços. Entre março e julho, as 29 instituições monitoradas pelo Consensus Economics reduziram suas previsões de crescimento da zona do euro em 2018 de 2,4% para 2,2%./AP e Dow Jones Newswires

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