Erenice submeteu Anac a sabatina no Planalto, diz Denise

'Havia claramente uma pressão. Se não de pedidos, psicológica', disse ex-diretora da Agência de Aviação Civil

Fabio Graner e Isabel Sobral, Agência Estado

11 de junho de 2008 | 19h03

A ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Denise Abreu voltou a afirmar, nesta quarta-feira, 11, na Comissão de Serviços de Infra-Estrutura, no Senado, que foi pressionada pela Casa Civil em relação ao caso Varig. Ela mencionou uma reunião que durou de 8 a 9 horas, em que ela e outros integrantes da agência foram obrigados a dar explicações detalhadas à secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, sobre o andamento do processo de venda da companhia aérea. Erenice é a principal auxiliar da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Veja também:Dilma nunca deu ordens expressas, mas fez pressão, diz DenisePara Virgílio, venda da Varig pode levar a nova CPISenadores batem boca sobre 'perdão' da dívida da VarigDenise diz que dossiê pretendia pressioná-la psicologicamenteDenise destaca rapidez incomum na certificação da nova Varig 'Governo arquitetou a saída dos diretores da Anac', diz DeniseTurbulências da Varig   "Há (havia) claramente uma pressão. Se não uma pressão de pedidos, uma pressão psicológica", disse a ex-diretora. "Houve uma sabatina e um debate em um trabalho que é eminentemente técnico. Será que, em tudo, tínhamos que ser monitorados, passo a passo, como se fôssemos crianças?", disse Denise Abreu. Ela disse avaliar que os diretores da Anac eram competentes para ocuparem seus postos. O que os fez parecer incompetentes, na opinião da ex-diretora, foi "toda essa articulação". Ela afirmou ainda que a entrada dos diretores da agência no Palácio do Planalto para participarem da reunião está registrado: "Eu não iria inventar uma reunião com 20 pessoas. Uma reunião no Poder Central com a secretária-executiva da Casa Civil, no quarto andar, isso não é pressão? Um servidor público não se sente pressionado? Sente-se." A ex-diretora mencionou também o episódio de uma reunião na Anac para debater a questão da VarigLog, durante a qual o então presidente da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), Milton Zuanazzi, recebeu um telefonema que, segundo ela, "deve ter sido" de Erenice Guerra, pois se tratava de uma voz de mulher, e Zuanazzi ficou visivelmente constrangido com a situação, que o desqualificava e enfraquecia perante os colegas. Denise Abreu fez, porém, a ressalva de que não levanta "nenhuma suspeita" em relação a Zuanazzi e avaliou que ele "foi usado", mas se empenhou muito para resolver a crise aérea, que também envolvia a Varig.

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