Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

Erro foi na comunicação, diz economista

Para pesquisadora, imaginar que a posição do BC foi decidida por causa de ingerência política é 'bobagem'

Ricardo Leopoldo, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2016 | 08h12

O Banco Central acertou ao manter os juros em 14,25% ao ano, mas errou na forma de comunicação ao mercado porque nos últimos 45 dias fez sinalizações muito fortes que levaram os investidores a acreditar que subiria a Selic, comentou ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, Monica Baumgarten de Bolle, pesquisadora do Instituto Peterson de Economia Internacional.

“Defendo há muito tempo que o Copom não deveria subir juros, especialmente porque a inflação alta no Brasil está relacionada a problemas de ordem fiscal, a indexação cresceu nos últimos 18 meses e há uma profunda recessão”, disse. “É bobagem imaginar que a posição do BC foi decidida por causa de ingerência política. Mas a forma de manifestar suas avaliações sobre a trajetória dos juros foi errada, pois deveria ter indicado há várias semanas que não elevaria a Selic”, comentou.

Na avaliação de Monica de Bolle, a recessão profunda e o cenário externo muito conturbado, que ficarão inalterados por um bom tempo, não devem dar condições para que o BC suba os juros neste ano.

Para o economista-chefe do Banco Safra, Carlos Kawall, o mais provável agora é que o Banco Central deixe a Selic estável também na próxima reunião do Copom, nos dias 1.º e 2 de março, pois o cenário externo não deverá mudar até lá. “As dúvidas com o crescimento global, com impactos nos preços de commodities, foram determinantes para o Banco Central manter os juros em 14,25%”, avaliou. “Como as circunstâncias apresentam muitas incertezas, o Banco Central deve ter uma postura mais neutra possível.”

Na avaliação de Kawall, a participação do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, na última reunião do BIS deve ter colaborado para que ele adotasse a decisão de não alterar a taxa Selic.

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