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Escalada da inflação preocupa analistas em Londres

A escalada da inflação brasileira, reforçada pela divulgação hoje do IPC para outubro, de 1,28%, é um tema que cada vez mais preocupa analistas e investidores. Apesar da expectativa média do mercado para a inflação em 2003 coletada pelo Banco Central ser de 8,2%, algumas instituições já acreditam que a taxa deverá ultrapassar a perigosa barreira psicológica dos 10%, ameaçando o alicerce do real. Para tentar reverter essa tendência enquanto ainda há tempo, cresce a expectativa de que o futuro governo seja obrigado a promover um aperto monetário aliado a um política fiscal ainda mais rigorosa. Para o economista do banco britânico Moscow Narodny Bank Limited, Paul Timmons, a recente escalada inflacionária reduziu o espaço de manobra do próximo governo. "Havia uma expectativa de que o governo petista poderia ter uma posição mais flexível em relação à meta inflacionária", disse Timmons. "Mas o problema é que a escalada dos preços nos últimos meses têm sido muito forte, com o índice se aproximando dois dígitos, ou seja, o espaço para um eventual aumento da flexibilidade praticamente acabou." Segundo ele, uma eventual taxa de dois dígitos teria "um impacto psicológico muito negativo", pois colocaria em enorme ponto de interrogação sobre a política de meta inflacionária adotada pelo país nos últimos anos. "Isso é um pilar da credibilidade da condução política macroeconômica brasileira, e se começar a ser questionado, poderá ter repercussões muito sérias, tanto internas como externas."O economista Nuno Camara, do banco de investimentos Dresdner Kleinwort Wasserstein, salientou que o aumento da inflação é hoje um dos principais pontos de preocupação relacionados à economia brasileira."O Brasil não pode retornar aos tempos nos quais a inflação era sacrificada para criar a ilusão de crescimento econômico", disse Camara. "A inflação ainda faz parte da memória recente do país e sua ameaça não pode ser subestimada. Camara acredita que, com a continuidade da atual tendência, o próximo governo terá que promover um "choque de confiança" para poder garantir a manutenção de um quadro de controle inflacionário. ´Terá que elevar os juros e reforçar o superávit primário, além de promover novas reformas", disse Camara. "Com um choque dessa magnitude, o real poderá recuperar um bom terreno e diluindo esse fator de pressão nos preços".Segundo ele, apesar de um aumento dos juros não ter um impacto no curto prazo, "ele seria importante para manipular positivamente as expectativas e o sentimento" dos mercados. "Líderes do PT vêm dando os sinais corretos no que se refere ao lado fiscal, mas acho que precisam ser mais taxativos no que se refere a possibilidade de promover ações ortodoxas na política monetária", disse Camara. O diretor do departamento de economia internacional do banco espanhol Caja Madrid, José Ramón Díez, também acredita que os primeiros passos do próximo governo serão fundamentais para uma eventual reversão dos fatores de pressão inflacionária, principalmente o câmbio. "Será preciso reverter essa tendência com medidas de austeridade e ortodoxas, não cedendo às pressões de aumento de gastos e salários", disse Díez. "O espaço de manobra é limitado e poderá ficar ainda menor se vermos uma conjuntura internacional agravada por um conflito no Iraque, com impacto nos preços do petróleo."

Agencia Estado,

05 de novembro de 2002 | 11h31

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