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Escalada dos juros e estresse no exterior detêm ganhos de aplicações financeiras

Fundos cambiais acabam liderando ranking em um cenário turbulento para os investimentos; neste ano, Bovespa já levou um tombo de 12,8%

ANNA CAROLINA PAPP , LUIZ GUILHERME GERBELLI, O Estado de S.Paulo

14 de outubro de 2013 | 02h10

A nova conjuntura macroeconômica nacional e internacional turvou o cenário de investimentos. Neste ano, a tônica do mercado financeiro tem sido de contradições, sem grandes vencedores. A mudança alterou a lógica esperada de ganho tanto de investimentos arrojados como de conservadores.

Em 2013, a principal mudança no cenário econômico brasileiro é a condução da política monetária. Em abril, o Banco Central (BC) começou a elevar os juros básicos (Selic), que chegaram a 9,5% ao ano na quarta-feira. Boa parte do mercado aposta que os juros podem chegar a 10% ao ano em 27 de novembro, última reunião do ano do Comitê de Política Monetária (Copom) - a previsão em janeiro era de que a Selic permaneceria em 7,25%. "Houve uma guinada na direção de atuação do BC, que vinha reduzindo a taxa de juros de maneira bastante agressiva, mas mudou a mão", diz Ernesto Leme, sócio responsável por Gestão de Patrimônio da Claritas Investimentos.

No cenário internacional, também há mudanças. Os investidores aguardam pelo fim dos estímulos do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) na economia. Essa postura deve elevar a taxa de juros dos EUA e tirar a atratividade de investimentos em outros países. "Há uma perspectiva - não se sabe quando - de retirada dos estímulos da economia americana", diz Beto Domenici, diretor de Multi-Assets e Portfólios da Rio Bravo.

Reviravolta. Essa reviravolta nas finanças americanas causou estresse ao longo deste ano com a alta do dólar - que chegou a R$ 2,45 em agosto -, o que ajudou a elevar o ganho dos fundos cambiais. A alta acumulada neste ano é de 8,70% (ver no quadro). Neste ano, o dólar já se desvalorizou 6,60% em relação ao real.

A mudança no cenário afetou principalmente o mercado acionário. Neste ano, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) caiu 12,8%. A queda também foi influenciada pela crise do Grupo X, de Eike Batista, que tem um peso importante na composição do índice e, de alguma forma, contribuiu para o descrédito das empresas brasileiras. "O setor mais afetado foi o mercado de ações. O investidor acreditou que o mercado estava com uma estrutura que o tornava imune a movimentos de supervalorização dos ativos", diz Ricardo Almeida, professor de finanças da Fundação Instituto de Administração (FIA). A má performance da Bolsa se refletiu nos fundos indexados ao Ibovespa, que já recuaram 12,33%.

A renda fixa também não escapou. A rentabilidade dos títulos públicos do Tesouro Direto foi afetada. "Grande parte dos fundos de renda fixa, aqueles fundos de índice atrelados à inflação, levaram um tombo porque, no ano passado, subiram brutalmente - fecharam o ano com 20% de ganho. Quando a taxa de juros subiu, eles se desvalorizaram; nos dois, três primeiros meses foi um horror", diz William Eid, coordenador do Centro de Finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Holofotes. A contradição do mercado pode ser comprovada pela rentabilidade dos fundos imobiliários. O Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários (IFIX) caiu 10,80% neste ano. Em 2012, foram considerados a grande aposta do mercado. Os dados da BM&FBovespa mostram que a quantidade de investidores subiu de 35 mil para 97 mil no ano passado. A alta foi impulsionada pela entrada de um fundo do Banco do Brasil, o BB Progressivo II Fundo de Investimento Imobiliário. O valor mínimo de investimento era de R$ 2 mil.

"Esse produto colocou os holofotes nos fundos imobiliários", afirma Eid, da FGV. "Houve um pouco de desconhecimento. As pessoas compravam com base nos ganhos do passado", diz Domenici. Em setembro, o total de aplicadores em fundos imobiliários era de 101.710, abaixo dos 104.079 investidores registrados em junho, quando atingiu o maior nível de participantes desde janeiro de 2011.

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