Escândalo com genro de rei da Espanha envolve Telefônica

Acusado de corrupção, Urdangarin teria recebido 1,4 milhão como conselheiro da empresa, entre outros cargos

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

05 Abril 2013 | 02h07

Acusado de corrupção e de tráfico de influência, o genro do rei Juan Carlos da Espanha, Inaki Urdangarin, ganhou mais dinheiro como conselheiro nos últimos anos da Telefônica Brasil e outros cargos de confiança dentro da empresa que o próprio monarca espanhol como chefe de Estado.

Na Espanha, um abaixo assinado chegou a ser feito e reuniu mais de 17 mil assinaturas de clientes da Telefônica pedindo a saída de Urdangarin - ele deixou a empresa apenas no fim do ano passado.

O caso de corrupção na família real espanhola está sacudindo um país que vive a pior crise econômica em décadas. Urdangarin é acusado de desviar 5 milhões de dinheiro público, por meio do Instituto Nóos. Ele supostamente emitia notas falsas e usava a conexão com a família real para fechar contratos. Nesta semana, um juiz ainda indiciou sua mulher, e filha mais nova do rei, por participação na trama.

No início de 2012, o juiz que instrui o processo contra o duque, José Castro, pediu à Telefônica que explicasse porque destinou 406 mil ao Instituto Nóos entre 2006 e 2008. Contratos, faturas e outras documentações foram solicitadas para esclarecer pagamento.

Um ano depois de receber o dinheiro, o duque passou a fazer parte do conselho da Telefônica Internacional. Desde 2006, ele participava do conselho da Telesp e depois da Telefônica Brasil, a "joia da coroa" da companhia - justamente quando o processo foi iniciado na Espanha. Naquele momento, mudou-se com a família para Washington e acumulava ainda a função de conselheiro para a Telefônica Internacional EUA e diretor de relações institucionais da companha na América Latina.

Se o salário do rei Juan Carlos por ano chega a 293 mil, dos quais 140 mil são de fato usados para fins pessoais, seu genro passou a ter uma renda bem mais elevada. Pesa sobre o duque, a acusação de ter recebido 1,4 milhão por ano da Telefônica, além de 1,2 milhão em ações. As informações estão baseadas na declaração de renda de 2010 de Urdangarin. Ainda segundo a declaração de renda do duque de Palma, ele recebia outros 55 mil por ano pelo cargo no Brasil.

A reportagem do Estado entrou em contato com a assessoria da Telefônica em Madri, questionando qual era a função do duque dentro da empresa. O departamento de comunicação preferiu não comentar. No Brasil, a assessoria manteve o mesmo comportamento. Mas confirmou que o Urdangarin havia feito parte do conselho da Telesp e depois da Telefônica entre 2006 e 2012. A empresa já havia confirmado que, em março de 2012, o duque chegou a viajar a São Paulo. Mas, na maioria das vezes, ele acompanhava os encontros apenas por teleconferência. A participação do duque na empresa brasileira coincide com a compra da Vivo. O negócio chegou a envolver até mesmo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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