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Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Escândalo da WorldCom abala mercados europeus

Os principais mercados europeus, que acompanham o atual sentimento de fragilidade em razão da recessão mundial, foram abalados pelo escândalo da suposta fraude contábil da norte-americana de telecomunicações WorldCom. As ações dos setores financeiro, de tecnologia e de telecomunicações foram as mais afetadas.O estrategista Dhaval Joshi, do Societé Générale, observou que o efeito negativo do caso WorldCom, em que uma questão específica de contabilidade sobrepôs-se aos fundamentos fracos, poderá adiar planos de elevação das taxas de juro.InglaterraA bolsa de Londres fechou em queda de 100,0 pontos (2,16%), em 4.531,0 pontos. O volume alcançou 2,85 bilhões de ações negociadas. No setor financeiro, as ações caíram não só por causa dos temores quanto à exposição de bancos e seguradoras à WorldCom, como também pela preocupação de que novas quedas dos mercados de ações forcem as instituições a aumentar as reservas de solvência, como algumas já se viram forçadas a fazer recentemente.As ações de telecomunicações foram atingidas não apenas pelo caso WorldCom, como também pelo alerta da francesa Alcatel de que deverá ter prejuízo operacional neste ano (Vodafone -4,7%, BT -2,0%, Mm02 -1,9%). As ações do setor de tecnologia caíram também por causa do alerta de queda nos lucros feito ontem à noite pela norte-americana Micron Technology (Arm Holdings -5,4%, Sage -2,3%). FrançaA bolsa de Paris teve o índice CAC-40 fechando em queda de 65,27 pontos (1,73%), em 3.701,13 pontos. Entre as ações que mais caíram estavam as da Alcatel, com baixa de 7,8%, depois de a empresa anunciar que deverá ter prejuízo neste ano. As da France Telecom caíram 8% e as da Orange recuaram 4,9%. No setor de tecnologia, as ações da STMicroelectronics caíram 6,6%, em reação ao informe de resultados da Micron Technology. Entre as ações do setor financeiro atingidas por temores de exposição à WorldCom estavam Axa (-3,9%) e Societé Générale (-4,7%). Entre as ações que subiram estavam as da Videndi Universal, que avançaram 7,8%. AlemanhaA bolsa de Frankfurt fechou com o índice Xetra-DAX em queda de 103,92 pontos (2,47%), em 4.099,05 pontos. O nível de fechamento é o mais baixo desde os ataques terroristas nos EUA, em setembro do ano passado. Os investidores mostraram preocupação não apenas com a WorldCom, mas também com empresas alemãs que, de acordo com rumores, também teriam problemas nos registros contábeis.As ações do setor financeiro estavam entre as que mais caíram. As do Deutsche Bank fecharam em queda de 3,70%, devido a temores quanto à exposição do banco à WorldCom (o banco recusou-se a fazer comentários). No setor de telecomunicações, as ações da Deutsche Telekom caíram 5,08%. As ações do setor de tecnologia sofreram o impacto do alerta de queda nos lucros feito ontem à noite pela norte-americana Micron Technology (Epcos -4,24%, Infineon -8,97%, SAP -2,07%, Siemens -5,51%). EspanhaA bolsa de Madri fechou com o Ibex-35 em queda de 90,20 pontos (1,33%), em 6.683,40 pontos. Analistas disseram que a WorldCom e o Brasil pesaram sobre as ações, com o setor de mídia registrando o pior desempenho do mercado: Prisa -6,74% e Sogecable -5,88%. Avanzit subiu 7,46%, impulsionado pelo acordo da dívida, e Terra-Lycos recuperou-se de sua mínima histórica, registrando uma alta de 5,74%. Entre as blue chips com exposição na América Latina: Telefónica caiu 1,92%, BSCH recuou 0,25% e BBVA fechou em queda de 2,24%. ItáliaA bolsa de Milão viu o Mib-30 encerrar o dia em queda de 267 pontos (0,98%), em 26.939 pontos, em meio a um elevado volume e muita volatilidade. Contudo, as perdas do índice foram limitadas na última hora de operação, em linha com as demais Bolsas européias. A recuperação em Nova York desencadeou alguma cobertura de vendas, com os investidores temerosos em terminar a sessão muitos expostos.Entre as perdas, destaque para os setores de telecomunicações (TI -2,30% e TIM -2,12%), tecnologia (STMicroelectronics -6,89%) e bancário (Banca Naxionale del Lavoro -6,43% e Banca di Roma -5,22%). Na contramão, Seat PG subiu 3,39%, apesar de ter negado os rumores de que a Telecom Italia possa vender alguns ativos. PortugalA bolsa de Lisboa fechou em queda de 56,41 pontos (1,68%), em 3.305,13 pontos, também em linha com os demais mercados europeus. A blue chip Electricidade de Portugal manteve-se estável após as recentes perdas. Sonae caiu 0,45% e Portugal Telecom recuou 3,18%. Vodafone Telecel fechou em queda de 2,20%. O volume continuou baixo e os investidores nervosos, com Brasil e o setor de telecomunicações pesando sobre o mercado.

Agencia Estado,

26 de junho de 2002 | 17h08

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