Escassez de alimentos pode gerar guerras civis, alerta FAO

"Se todas as medidas necessárias não forem tomadas, há riscos de conflitos", disse diretor da FAO

Deise Viera, da Agência Estado,

25 de abril de 2008 | 14h20

O diretor da Organização das Nações Unidas (ONU) para Agricultura e Alimentação (FAO, na sigla em inglês), Jacques Diouf, alertou sobre a possibilidade de guerras civis em alguns países devido à escassez de alimentos e pediu uma reforma no sistema internacional de alimentos. Segundo ele, em entrevista à TV France 24, os líderes internacionais não reagiram aos alertas da agência da ONU ao que ele classificou de "catástrofe previsível".   Veja também: Alimentos triplicam alta e IPCA-15 mais que dobra em abril ONU alerta para crise global real com alta de alimentos Crise na oferta de alimentos é passageira, diz Lula Especial: Entenda a crise dos alimentos  Câmara Setorial de Arroz descarta a possibilidade de desabastecimento    Abitrigo estima que o preço continuará subindo nos próximos meses   Quanto às manifestações e protestos contra o aumento de produtos como arroz e milho atingem o governo do Haiti, Diouf afirma que vê a "guerra civil" como perigo potencial para países na África subsaariana, Ásia e América Latina. "Se todas as medidas necessárias não forem tomadas, há riscos de conflitos. Sabemos que já ocorreram mortes em alguns países", disse ele. "Infelizmente, sempre esperamos até que haja uma catástrofe no mundo para reagir."Agitações sociais relacionadas à inflação nos preços dos alimentos já eclodiram nos Camarões, Costa do Marfim, Mauritânia, Etiópia, Madagáscar, Filipinas e Indonésia.Diouf lamentou as políticas competitivas de diferentes organizações internacionais, algumas vezes na própria ONU, e disse que isso geralmente faz com que a implementação de programas da FAO contrariem as políticas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial. Ele gostou da idéia de instituições globais estabelecerem um fundo de segurança alimentar, como o que a comunidade internacional criou para combater a Aids a partir de 1980. "Acho que essa proposta merece séria avaliação", afirmou. As informações são de agências de notícias internacionais.

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