Escassez de crédito e juro alto fazem a inadimplência saltar 28% em novembro

A crise financeira já fez crescer as dívidas não pagas no vencimento pelas empresas no Brasil. Em novembro, o índice calculado pela Serasa Experian de inadimplência da pessoa jurídica deu um salto de 28,2% em relação a igual período de 2007. Na comparação com outubro deste ano, a alta foi de 13,9%. "O aumento da inadimplência foi impulsionado pelas incertezas geradas pela crise, que fizeram o crédito ficar mais caro e seletivo", afirma Carlos Henrique de Almeida, assessor da Serasa. "As empresas se ressentiram da retração na demanda e do avanço da inadimplência do consumidor." No mês passado, os títulos protestados continuaram liderando o ranking de dívida em atraso mais comuns, com participação 41,1% na inadimplência das empresas. Em seguida, aparecem os cheques devolvidos por falta de fundos, com 39,8%, e as dívidas com bancos, com 19,1%. Sondagem feita no último dia 16 pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) mostra que a falta de pagamento de clientes das empresas do setor já comprometia 10,7% do total de recebíveis. Em meados de novembro, o porcentual era bem menor, de 7,1%. "O problema envolve principalmente usinas de açúcar e de álcool e outros segmentos do setor agrícola", conta Fernando Bueno, vice-presidente de competitividade da Abimaq. As usinas, segundo ele, se ressentiriam da queda no preço do petróleo e da falta de fôlego da exportação do etanol. A falta de crédito também trouxe problemas ao setor, pois as duas últimas safras tiveram preços muito baixos para a cana, o açúcar e o etanol. "Há relatos de que alguns usineiros chegam a avisar que, se o equipamento for entregue, eles não vão pagar porque não têm dinheiro", diz Bueno. "A questão é que, em boa parte dos casos, o projeto é tão especial como uma dentadura: só serve para aquele cliente".

, O Estadao de S.Paulo

24 Dezembro 2008 | 00h00

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